Você já experimentou uma omelete de “carne” de caju? E uma moqueca de bago de jaca? Imagina a delícia que é pode ser um suco de abacaxi, com casca? E para quem não abre mão dos doces, já pensou em fazer um bolo de pão dormido, com sobras de cuscuz, com os mesmos ingredientes de um bolo comum (ovos, manteiga, açúcar, leite, cravo, canela..) acrescidos do talento para reaproveitar, não desperdiçar, inventar novas, deliciosas e nutritivas receitas? Ah essa culinária me fascina. Haja tempo para misturar. É uma nova cultura que começa a tomar rumo para o “Desperdício Zero = Lixo Zero”. A realidade nos intima à racionalidade, criatividade e desenvolvimento das potencialidades como forma de enfretamento da fome, miséria, exclusão, desperdício, falta de cidadania… A idéia é que essas receitas de sustento possa se alastrar, cozinhas afora.
Recentemente visitei um projeto que dá esperanças para uma nova forma de olhar, integrar e se adaptar às exigências da Natureza para a harmonia do Planeta, via redução do lixo. O exemplo vem de uma dona de casa, que mora numa roça, em Biritinga. Ao ver tanto caju ser desperdiçado no chão e famílias ao seu redor morrendo de fome, teve a idéia de reaproveitar as fibras, sem o suco, que parece carne de galinha desfiada, conservando-a em geladeira com sal, pimenta e cuminho. Para cada nova receita é só acrescentar temperos verdes como coentro cebolinha e outros que usamos nas carnes moídas.
Claro que trouxe lá de Biritinga uns dois quilos da polpa do caju para casa e venho explorando infinitas possibilidades culinárias desta carne vegetal. Este recheio, exótico, pode ficar bom em pastel, coxinha, risole, diversificando a pobre cultura fast-food e promovendo a alimentação saudável, com baixo custo e aproveitamento integral dos alimentos. Cascas, caroços, folhas, talos, raízes e outras partes de frutas, legumes, hortaliças e tubérculos habitualmente desperdiçados no lixo e gerando sérios problemas de saneamento, tem um novo destino. Uma nova forma de se alimentar, viver com qualidade, potencializar as riquezas naturais e multiplicar isso com os filhos, vizinhos e comunidades, rumo à construção de quintais sustentáveis.
Liliana Peixinho – Jornalista, ativista ambiental.


2 comments
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Outubro 13, 2007 às 8:34 pm
Carlos Alberto Carlão de Oliveira
Muito legal seu artigo. Eu preciso voltar a cuidar de minha alimentação de forma mais rigorosa. Tenho alta taxa de ácido úrico e preciso me cuidar. Sempre gostei de seus artigos sobre a questão ambiental. Um abraço!
Carlão
Outubro 13, 2007 às 10:01 pm
rodabaiana
frutas, laticínios, raizes e sucos, fibras de manhã
Eu gosto de aveia c/ banana ou de mingau, cuscus, banana da terra, batata doce, inhame ou aipim, com ovo, claro, que de manhã vai bem alguma proteina.
Beijus, aprendi a fazer em Natal: limpe bem a caçarola, aqueça, espalhe a farinha, e vire, que nem panquea, pra cozer os dois lados.
No recheio, vá pra galera: da geléia ao tomate, passe por pelos queijos, carnes, frio…é o que quiser -mas pega leve, que aquilo vicia, e pesa mais que pão, que eu também adoro!!!
Vamos Comer…
alf