Mônica é amiga. Torço por sua breve recuperação, sei que torcemos todos. Profissional competente, sem este narizinho empinado de muitos colegas que, como diz a também sua amiga Sônia, “se sentem”. O sentimento, a comoção, o sofrimento dela reflete a tortura que sofremos em nossas redações. Por isso não isento as pressões, dificuldades, a exaustão sofrida no cotidiano do jornal, da culpa pelo passamento precoce de uma pessoa meiga, doce, tranqüila, como Lina.
É mesmo extremamente desgastante o jornalismo diário, mais ainda numa editoria de economia, no Correio especificamente, verdadeira prensa(hidráulica) nos miolos, coração e corpo, que n’A Tarde não é menor. O stress day by day vai minando até a alegria, de quem é obrigado a conviver com uma realidade carregada de violência, corrupção, abuso do poder de uns, e impotência da maioria. E nós alí, entre o mar e a rocha, só recebendo a ressaca e a maresia dessa profissão de loucos.
Só pra lembrar, há uns três ou quatro anos, acho, perdemos o colega Armando Lobracci, vizinho lá do Santo Agostinho -temos casa no Matatu-, que fez a passagem lá mesmo, dentro da redação do jornal. A Causa Mortis, pra quem não lembra, foi ataque cardíaco, falha na bomba, forçada, como a de todos nós, a trabalhar sob pressão, diariamente. Talvez seja hora de voltar a discutir a questão da aposentadoria especial. Em minha opinião, há muito a merecemos.

3 comments
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Outubro 17, 2007 às 1:05 pm
katia lobracci
Olá, sou irmã do Armando Lobracci, desse paulista e corintiano que nos faz tanta falta. Li seu texto e fico triste com a situação de pressão que você e seus colegas passam diariamente , tenho certeza que sua indignação não é só sua e espero verdadeiramente que sejam atendidos, porém sinceramente não tenho esperanças, uma vez que o sistema não está a favor de vocês , está lá no topo da pirâmide, mas daqui torço por vocês.
Meus pais mandam abraços e ficaram emocionados por saber que vocês ainda se lembram de meu irmão querido.
Obrigada
Abraços.
Katia Lobracci
Outubro 17, 2007 às 1:06 pm
katia lobracci
Inclusive, nos mande notícias da colega que se encontra debilitada.
Outubro 17, 2007 às 7:47 pm
rodabaiana
Kátia, Muito Obrigado
Agradeço não só em meu nome e de Leandro, amigo e colega corajoso, guerreiro como seu irmão, com mais sorte que ele em sobreviver, apesar da diabetes que contraiu, e para o que em muito contribuiu o stress diário, fator de complicação, também, do mal que acometeu e vitimou nosso parceiro, e seu irmão, querido.
Sua solidariedade é+q bem vinda, por isso me permita colaborar pra levantar suas e nossas esperanças, com uma boa e oportuna lembrança:
Nenhuma conquista, profissional ou pessoal, social ou institucional, principalmente se for legítima, se consegue sem luta, organização e determinação.
Depende menos “deles”, amiga, e muito mais de nós mesmos, individualmente, e de todos, enquanto categoria, e/ou mesmo toda a população. Reivindicar, cobrar exigir, pressionar, dar suor, sangue, lagrimas, às vezes, é o árduo e difícil caminho que temos a trilhar,como trilharam nossos avós e mártires, Martinh Luther king, Ghandi, Tiradentes, nenhum dois que sonhavam um mundo mais digno, justo humano, morreu em vão
Em respeito à sua dor lembro que uma mãe disse, certa vez, sobre a dor da perda deseu rebento,já criado, e se tornado seu provedor: “Nenhuma mãe deveria enterrar o próprio filho. É antinatural. Quisera Deus me levasse antes”. Posso não abarcar a dimensão mas entendo a dor de vcs e dela.
Receba meu caloroso e sincero abraço
e mais uma vez, muito obrigado, à senhora e aos seus pais
alvaro figueiredo
fgrdjr@gmail.com