Mônica é amiga. Torço por sua breve recuperação, sei que torcemos todos. Profissional competente, sem este narizinho empinado de muitos colegas que, como diz a também sua amiga Sônia, “se sentem”. O sentimento, a comoção, o sofrimento dela reflete a tortura que sofremos em nossas redações. Por isso não isento as pressões, dificuldades, a exaustão sofrida no cotidiano do jornal, da culpa pelo passamento precoce de uma pessoa meiga, doce, tranqüila, como Lina.

É mesmo extremamente desgastante o jornalismo diário, mais ainda numa editoria de economia, no Correio especificamente, verdadeira prensa(hidráulica) nos miolos, coração e corpo, que n’A Tarde não é menor. O stress day by day vai minando até a alegria, de quem é obrigado a conviver com uma realidade carregada de violência, corrupção, abuso do poder de uns, e impotência da maioria. E nós alí, entre o mar e a rocha, só recebendo a ressaca e a maresia dessa profissão de loucos.

Só pra lembrar, há uns três ou quatro anos, acho, perdemos o colega Armando Lobracci, vizinho lá do Santo Agostinho -temos casa no Matatu-, que fez a passagem lá mesmo, dentro da redação do jornal. A Causa Mortis, pra quem não lembra, foi ataque cardíaco, falha na bomba, forçada, como a de todos nós, a trabalhar sob pressão, diariamente. Talvez seja hora de voltar a discutir a questão da aposentadoria especial. Em minha opinião, há muito a merecemos.