Nem bem readquiri um pouco de confiança na garantia da qualidade dos medicamentos e lá vêm os fraudadores atacando de novo, agora “batizando” o leite do tipo “longa vida” com soda cáustica e água oxigenada.
Certa vez, numa dessas feiras agropecuárias, um produtor rural disse que só comia castanhas quando eram assadas em sua fazenda. Diante de minha expressão interrogativa, explicou: “Pra ficar assim limpinhas, sem cascas, elas são mergulhadas num ácido, que de alguma forma deve fazer mal ao nosso organismo”.
Mal havia saboreado as castanhas, que comprara minutos antes, joguei no primeiro cesto de lixo que encontrei, revoltada com o descaso a que nós, consumidores, somos relegados.
Pouco tempo depois, veio o escândalo dos remédios. Não só revoltada, dessa vez fiquei muito descrente com o ser humano. Não podia imaginar como a ganância de um empresário pode fazer com que remédios, tão necessários para curar ou aplacar dores, sejam falsificados. Em lugar de suas substâncias ativas, apenas farinha de trigo, placebo!
Mais descrente fiquei ainda, quando não vi nenhum deles ir para a cadeia, que é o lugar adequado para os criminosos e para onde seriam mandados, se o Brasil tivesse uma Justiça que funcionasse para todos, não apenas para prender pobres e pretos. Será que ninguém teve desconfiômetro para investigar em quê a indústria farmacêutica utilizava tanta farinha de trigo, presumindo que era um produto comprado com notas fiscais, recolhia impostos. Ah, os impostos!
E agora? O que pensar diante da denúncia de que o leite longa vida seria “batizado” de soda cáustica ou água oxigenada? Se comprovado for, quem é que vai pagar por esse crime hediondo contra as nossas crianças?
Acabei de assistir em um canal de tv: um especialista, toxologista, garantiu que o consumidor pode ficar tranqüilo, pois isso não irá fazer nenhum mal. E logo um toxologista sai em defesa de uma suposta fraude! Ponto para o crime.
Ora! Me bata um abacate, sem leite, por favor! Se tão “benéficas” fossem, essas substâncias estariam especificadas nas embalagens dos leites. Estou certa?
Eis aí mais um exemplo de um dublê de “juiz”, que já julgou e absolveu. Gostaria de ter acesso à pesquisa em que ele obteve essas informações.
É isso! Os fraudadores sempre têm muita “bala na agulha” e podem angariar teses inteiras em defesa do que é indefensável em outras plagas, menos aqui no Brasil.
De repente, bate aquela sensação tão conhecida de nós brasileiros de que a impunidade vai vencer. E de nada adianta chorar pelo leite derramado! Tomara esteja enganada.
Foto sem crédito, publicada em vários sites e blogs. Se o autor se identificar, darei o crédito. Mande um e-mail para: merybahia@bol.com.br


2 comments
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Outubro 24, 2007 às 3:16 am
Yuri Almeida
apois Mery,
a dignidade humana não tem valor algum para o capitalismo…com a alta do preço do leite há muito deixei de consumir tal mercadoria…optei por suco de fruta, mas logo logo aparecerá alguma denúncia de “químicas nocivas” no tratamento destas…
fatos como esse faz pensar: será que a fiscalização é eficiente? aquele selinho que garante (ou pelo menos deveria) tem algum valor?
Outubro 24, 2007 às 12:17 pm
mery bahia
Yuri,
O capitalismo é algoz do povo. Convém lavar sempre as frutas, com uma buchinha, água e sabão, antes de consumí-las. A quantidade de agrotóxicos depositados na casca de uma pequena maçã levou pessoa conhecida à uti. Numa viagem, comprou a fruta e lavou apenas com água no banheiro da rodoviária.