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Olhando bem, passaram próximo ao roteiro do tráfico escravo

Consciência à deriva

Em pleno Dia da Consciência Negra, a Secretaria da Cultura e o IPAC teimavam em ceder o Forte de Santo Antônio à Sudesb para entrega de premiações aos participantes da Regata Jacques Vabre, que andou circunavegando o mapa-múndi do Atlântico Norte até à Baía de Todos os Santos.

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Mestre Moraes e o Grupo de Capoeira Angola Pelourinho (GCAP) reagiram. Toda a programação da entidade, sediada há quase 25 anos no Forte, uma antiga casa de detenção, iria ser posta fora da roda. Bateram pé firme, ameaçaram denunciar o fato à mídia, e conseguiram fazer os timoneiros da Cultura e sua “baianada” saírem à francesa.

Em tempo, a regata está na oitava edição e partiu da cidade francesa de Le Havre, nos dias 3 e 4, com participação de uma flotilha de 61 barcos dos tipos monocasco e multicasco, que percorreram um total de 4,5 mil milhas até Salvador. O barco Groupama 2 liderou e venceu a competição. A patrocinadora da regata é a multinacional produtora de café Kraft Foods, que já tem presença na Bahia, por meio da parceria com pequenos agricultores da Chapada Diamantina.

Obviamente, o objetivo da empresa é ganhar visibilidade para seu produto, que é certificado por instituições de pesquisa e de meio ambiente relacionadas à cafeicultura. Le Havre é o maior porto importador de café do mundo e a Bahia é exportadora do grão.

Parece que a lógica, completamente à deriva, era à base do “navegar é preciso”. Quanto à Consciência, Negra ou não, “ela que se dane”, diriam, por certo. (Albenísio Fonseca)