* Por Suzana Tavares
É através do discurso que são construídos sentidos que influenciam e organizam tanto nossas ações quanto a concepção que temos de nós mesmos. Sendo a revista Raça um meio voltado para despertar uma consciência étnica nos seus leitores, tendo o propósito de recontar a história do povo negro, dando em suas publicações informações cruciais sobre o papel dos negros no desenvolvimento deste país. A exemplo, da publicação da matéria Nossa história, enfim contada (Edição 87 – Junho/2005), que mostrou uma exposição com documentos, fotos e obras de arte expostos no Museu Afro-Brasil, em São Paulo, evidenciando o negro como integrante ativo na construção da nação brasileira. Segue abaixo parte da publicação da matéria:
“Apague tudo o que você conhece sobre a História do Brasil. Ou quase tudo, já que a versão ensinada na escola sobre a formação da nação brasileira, em geral, desconsidera a participação ativa dos negros na construção do País. Na literatura que se conhece sobre a colonização do Brasil pelos portugueses, o índio é visto como um ser que aceita pacificamente a imposição da cultura e da religião européias e que não se adequa ao esquema de trabalho imposto. O negro, no entanto, é tido ora como passível de pena, por aceitar sua condição de escravo, ora como rebelde fujão, que constrói os quilombos e sofre as conseqüentes punições. Mas quase nunca é mencionado que negros e índios fizeram parte da vida social do País desde a sua formação. “Foram os negros que extraíram o ouro na mineração, cultivaram a cana-de-açúcar e o café, cuidaram do gado e do fumo”, lembra Emanoel Araújo, 63 anos, diretor e criador do Museu Afro-Brasil, em São Paulo” (Nossa história, enfim contada Edição 87 – Junho/2005).
A intenção desta matéria é justamente recontar a história do negro com um novo olhar, ilustrando através desta exposição as raízes africanas, a vinda dos negros para cá e a participação na vida cotidiana nestes cinco séculos de Brasil. Acompanhe a seguir trechos do roteiro que a reportagem da Raça Brasil percorreu nesse mergulho no tempo:
“Os objetivos deste trabalho estão lá: “Registrar, preservar e argumentar, a partir do olhar e da experiência do negro, a formação da identidade brasileira…”. Em seguida, iniciamos a caminhada em busca de nossas raízes. A primeira parada é uma coleção de máscaras vindas do continente africano, cuja vedete é a Cabeça Nok, artesanato confeccionado pelo povo Nok, que viveu entre 500 a.C. e 500 d.C., e a peça mais antiga do museu. O Núcleo África ainda dedica um espaço para as mulheres, por meio de poemas e esculturas que representam divindades femininas.[...] Além de cuidar das tarefas domésticas, as escravas denominadas amas-de-leite alimentavam os filhos de seus donos. Também estão lá imagens de negros que acabavam morrendo de tanta tristeza e saudade de casa (banzo) e os objetos de aprisionamento e tortura dessa gente. Nesse momento da visita, a miscigenação é lembrada por meio da alimentação: o acarajé, o caruru, o xinxim e o feijão-de-azeite são heranças africanas” (Nossa história, enfim contada Edição 87 – Junho/2005).
Parafraseando Elisa Larkein, “quando se tem por objetivo aprofundar o conhecimento e a reflexão sobre a cultura afro-brasileira, a referência à África não deve ser entendida como volta ao passado, mas como necessidade fundamental para a construção de uma identidade própria”.

2 comments
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Dezembro 3, 2007 às 7:33 pm
oflamboyant
belo trecho, nega.
tâmo comemorando mêrmo, grande estilo, os frutos desse ensaio conjunto, desde o beijo coletivo, em piracicaba, é a experiência grupal mais prazerosa…
fora pegar a mãnha, c/ a nova ferramenta!!!
tin tin
alf
Dezembro 3, 2007 às 9:18 pm
Dona Preta
Tin, tin meu lindo. Te amo visse…