As novas tecnologias trouxeram consigo a expectativa de auxiliar o déficit democrático da sociedade contemporânea. A condição sine qua non para que tal empreitada ocorra, evidentemente é a garantia de acesso aos dispositivos tecnológicos, ou seja a conexão.
Celebra-se, por exemplo, as experiências em ciberativismo desenvolvidas com o suporte de aparelhos celulares. Em Mianmar o uso de celular na cobertura de um grande protesto que exigia mudança na política do país, fora capaz de gerar uma nova dimensão da realidade política e visibilidade pública sobre o local, que encontrou na web uma forma de burlar a censura que o governo estatal impõe a sociedade. Ou o que dizer do kit de jornalismo desenvolvido pela Reuters em parceria com a Nokia para potencializar o jornalismo em mobilidade?
É verdade que número de celulares vendidos cresce constantemente no Brasil. Para cada 100 habitantes existem 59,47 celulares, totalizando 112,75 milhões de aparelhos no país. Porém, dados da Anatel sinalizam 209 cidades do interior do Estado ainda não têm acesso à telefonia móvel, o que corresponde a metade do Estado sem acesso aos aparelhos. A justificativa: a pequena margem de lucro que as empresas de telefonia móvel obteriam com o investimento nessas localidades.
Para o ingresso na sociedade em rede, alternativas que promovam o acesso à teia e aparelhe os usuários com ferramentas digitais para a produção de conteúdo, é essencial, pois diz respeito a própria evolução da espécie humana, em uma sociedade onde “ser” é “estar” conectado.
O Estado, devido a sua fragilidade como instituição e limitados mecanismos de intervenção na atividade econômica, não oferece “respostas” eficientes a “exclusão digital”. Por outro lado, o mercado baseia-se no lucro, ou seja para investir X é preciso que o público gere Y de lucratividade para empresa, caso contrário “viver sem fronteiras” integra apenas a filosofia da empresa e comerciais publicitários. Simples assim, claro.
Contudo, comovido pelo espirito de festas de final de ano, creio que a movimentação em torno a Terceira Geração (3G) da telefonia móvel trará no pacote mecanismos de universalização do celular em todo o País. Assim como aconteceu com a telefonia fixa, onde a contrapartida das empresas para operar o serviço era expandir a rede para todas as localidades. Funcionou. Torcemos para funcione novamente. Esperança latente, graças a tecnologia.


5 comments
Comments feed for this article
Janeiro 4, 2008 às 12:15 pm
Fatima Dannemann
Tem horas que eu questiono essa coisa calhorda que se chama a política do “ohhhhh, coitadinho”
pior que não ter o celular pelo qual eles brigam
é não ter educação, saude, estradas, saneamento, agua potável, enfim
coisas que até em MIANMAR tem
mas no Brasil passa a quilometros de distancia até da preocupação dos esquerdinhas porque não é simbolo de status.
Deviamos brigar por educação, saude, saneamento, alimentação.
Isso sim.
Março 20, 2008 às 7:35 pm
gil
Que Brasil fraco em tecnolgia, muitas cidades da Bahia nao tem sinal de celular ja é de colocar este Brasil pra atualizar ; os politicos nao tao nem ai pra pequenas cidades do interior principalmente da Bahia , Piaui e outras.
vergonha.
Setembro 16, 2008 às 12:51 pm
jorge da silva macedo
É meus amigos, são muitas as cidades do brasil que não pega celular, um é essa que moro: Caldeirão Grande Na Bahia, Promessas tem muitas.
olá jorge, mande umas fotos aí de caldeirão,
pode ser pro fgrdjr@gmail.com
valeu ter vindo
abraço e
boa sorte
alf
Abril 24, 2009 às 5:58 pm
Ana Angélica de Almeida Cardoso
Rio de Contas-ba fica na chapada diamantina, é uma cidade turística visitada por uma multidaão de turistas do mundo inteiro e ainda não tem torre nem sinal de celular.Alegam que a população é muito reduzida e não vale a pena.Eu fico muito indignada,por eles pensarem dessa maneira e não atenderem as necessidades de tantos que precisam deste serviço.Agora eu queria que aparecesse algúem muito bom para me dizer porque uma deputada do PT subiu num palanque onde eu estava assistindo a um comício na cidade de Caatiba-ba e prometeu que ela levaria a torre com sinal para essa cidade com 12.000 habitantes no mês de dezembro.Pois não é que que foi mesmo?Estive lá em dezembro,e olha lá a torre da OI?Como foi que ela conseguiu essa mágica!aí Oi gostaria de saber o que os políticos daquela cidade fizeram para conseguir essa façanha!Nós de Rio de Contas também queremos!É um direito nosso.E prá finalizar gostaria de dizer que Rio de Contas tem quase o tríplo da população de Caatiba-ba.Não sou contra que Caatiba-ba tenha torre de celular,só sou a favor que em todas as cidades do Brasil,tenha.
Junho 8, 2009 às 1:24 am
Messias Anjos
Muito interessante esta placa….rsrsrsrsr