A Semur (Secretaria Municipal de Reparação) que nasceu com a missão de “promover a eqüidade, a igualdade racial, de gênero, a eliminação da xenofobia e intolerância religiosa, por meio de políticas, articulações e ações, junto a instituições públicas, privadas e sociedade civil” continua sendo palco do que mais baixo a mente humana pode gerar, em especial a mesquinharia e a perseguição.

Já se disse uma vez a respeito do Dia da Consciência Negra que ele deveria ser considerado “como o dia nacional de todos os brasileiros e brasileiras que lutam por uma sociedade de fato democrática, igualitária, unindo toda a classe trabalhadora num projeto de nação que contemple a diversidade engendrada no nosso processo histórico”.

O triste é que a mesma pessoa que disse isso um dia, falou na terça-feira, dia 15, para Marcos Antonio Almeida Sampaio, funcionário terceirizado e com atuação destacada no projeto de mapeamento dos terreiros de Salvador, que não entrasse mais na Semur.

Como gestora pública ela deveria saber que os órgãos municipais devem estar abertos a todos os munícipes e a proibição de entrar é uma discriminação e um crime.

O motivo desse absurdo: Marcos Antonio Almeida Sampaio, membro do Conselho de Moradores do Alto do Cruzeiro do Bairro de Cosme de Farias, é militante de outra corrente interna do Partido dos Trabalhadores (PT). Nada consta contra ele no aspecto pessoal e profissional e sua entrega ao trabalho na Semur. Contra ele só existe o “crime” de ter outras convicções políticas.

A dona da Semur, que depois do Carnaval deve procurar novos caminhos porque existe a possibilidade do PT sair do governo, que deveria dar o exemplo de tolerância se mostrou mais intolerante que muito pastor neopentecostal quando ataca o Candomblé.

Membro da ACBANTU (Associação Cultural de Preservação do Patrimônio Bantu), organização que tem como objetivo principal unir pessoas e grupos para o engrandecimento do povo afrodescendente, contribuindo para o resgate das suas tradições, promovendo e incentivando ações culturais que visam a defesa e promoção da cidadania nas áreas de educação, saúde, profissionalização, promoção social etc., Marco Antônio tem muito a dar para Salvador no campo de políticas públicas. Por miopia política, no mínimo, se perde um funcionário de muito valor.

Infelizmente este filme de terror de segunda e baixíssima categoria deve ter continuidade e uma parte 3 porque esse comportamento mesquinho aliado a falta de capacidade para gerir uma instituição como a Semur permanecerá até o PT tomar a decisão de sair de uma vez por todas da prefeitura de Salvador.

lá ela deve saber, ou espera-se que saiba, o que está fazendo. O isolamento e a falta de competência só produz gestão derrotada politicamente e desprestigiada. Tudo o que está sendo feito é apenas o encaminhamento da herança bendita recebida de outras gestões. É muito pouco. Salvador em geral e os afrodescendentes em especial mereciam coisa melhor.

Agora é aguardar e esperar pela próxima degola

*Carlos Alberto Carlão de Oliveira