*Por Suzana Tavares
A cultura negra foi disseminada pelos quatro quantos do mundo, mas ainda hoje precisamos brigar por nossos direitos e nos afirmar enquanto raça, em meio a uma sociedade que insiste em manter o mito da democracia cultural e racial.
Lutar para romper as teias discriminatórias, preconceituosas e racistas. Os Direitos Humanos devem atuar na sua proposta de inclusão dos negros, começando pela educação, onde as instituições estão estruturadas nas desigualdades sociais, que não preparam para o mercado de trabalho, e este não visa a capacitação profissional do individuo, e sim a cor da pele.
Por isto, lutamos pelas cotas nas universidades públicas, não podemos esperar mais, queremos mudar nossa história.
Porque ninguém fala da Lei do Boi, instituída em 1968 pelo governo federal, que ficou em vigor por quase 20 anos, e que dava 50% das vagas do curso de Veterinária, de ensino superior, para candidatos agricultores e filhos destes? O sistema de cotas não é nenhuma novidade então, porque tanta resistência para ceder as cotas para os candidatos negros?
Há nos estados uma negação dos direitos, principalmente para os negros, que ocupam a maior parcela da população carente. As posições mais baixas em nossa sociedade são ocupadas por negros. São os negros que sentem dificuldade em conseguir emprego, estudar, se manter, de se representar perante uma hierarquia em um disfarce do separatismo.
Os negros ficam mais distantes de terem uma boa qualidade de vida. O projeto das cotas tenta corrigir distorções históricas, vividas pelo povo negro ao longo da história do Brasil. As cotas são apenas uma medida provisória.
Dentro de algum tempo não serão mais necessárias, porque já vamos ter conseguido equilibrar nossa condição econômica, já teremos conseguido melhores empregos e para isso precisamos de uma boa formação acadêmica, daí a importância das cotas. A democracia só se faz com igualdade racial, social e econômica.
Queremos transformar em realidade as promessas de democracia, queremos boa colocação no mercado de trabalho, para que possamos reverter os dados que mostram as dramáticas taxas de desemprego atingindo mais fortemente os negros, a maioria dos desempregados, e nas posições de mais baixa remuneração e baixo prestígio social .
Queremos igualdade de oportunidades, queremos reparação. E para que o sonho viva da certeza dependemos da reeducação nas relações entre negros e brancos e nos processos políticos, econômicos e educacionais, fazendo da luta dos quilombolas uma realidade nacional.
O negro deve protestar e rejeitar a invisibilidade na sociedade. O desvio geográfico não impedirá de sermos fiéis às nossas origens, afinal, somos a cidade com a maior população negra fora da África, mostrando que o Quilombo permanece vivo!!


5 comments
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Março 2, 2008 às 1:04 am
rodabaiana
tá vendo só?
não abra a guarda q eu invado
espero q vc tenha gostado
alf
Março 4, 2008 às 9:49 pm
Dona Preta
Se for para melhorar pode invadir!!Quero é a solução para meus problemas!
Março 21, 2008 às 9:02 pm
ajaleu
Atualmente ouvimos dos defensores do mito da democracia racial brasileira a idéia de que superaremos a grande desigualdade racial brasileira através da melhoria da educação. Dizem eles que como não temos problemas raciais no Brasil facilmente sairemos deste abismo em que nos encontramos se tivermos uma escola pública de qualidade, isto é, com professores bem pago e de excelente formação, uma boa infra-estrutura física e logística nas escolas, acesso a todo tipo de tecnologia educacional possível aos alunos no universo escolar e horário integral.
Esta proposta se encarada com seriedade merece de todos nós aplausos e apoio. Embora não acredite que venceríamos todos os problemas sociais apenas com a democratização da estrutura educacional brasileira, devo reconhecer que seria um passo importante para desmontarmos parte do apartheid social e racial existente. Seria fantástico se pudéssemos ter nossas escolas públicas funcionando dessa forma e ver nosso filhos tendo a oportunidade de aproveitar desse direito básico estabelecido constitucionalmente.
Entretanto, se fizermos uma digressão histórica veremos que esta proposta de educação é filha de uma época determinada, e mais, de uma estrutura de Estado determinada. Um Estado que surgiu a partir de um acordo de classes instituido numa Europa arrasada pela 2 Guerra Mundial e sob a ameaça da expansão soviética. Nestas circunstâncias, uma burguesia débil e temerosa aceitou melhorar as condições de vida da população em geral, em troca do abandono, por parte dos trabalhadores, dos ideais comunistas e da sua militância em partidos operários. Daí nascem a social-democracia e o Estado do Bem-Estar Social, o “Welfare State”, que pretendia prioritariamente combater a miséria e garantir direitos como moradia, saúde, educação, previdência e o emprego. Após a instauração desse acordo temos, como bendisse Hobsbawn, “os 25 anos áureos do capitalismo”.
Hoje, infelizmente o “Welfare State” vem sendo destruído pela burguesia, e o que restou em muitos países são escombros. Basta observarmos o exemplo francês que recentemente passou por uma grave crise com a revolta de jovens imigrantes contra a situação atual, sobretudo, do sistema educacional francês e a falta de oportunidade de empregos e sua conseqüente precarização. Na Europa, somente os países nórdigos mantêm a duras penas e sob forte crítica burguesa e com muitos desvios a estrutura construída a partir do “Welfare State”.
A nova centralidade do Estado, estabelecida a partir dos governos Thatcher e Reagan e que se universalizou com a derrubada do muro de Berlim e a queda da URSS privilegia não mais a atenuação das desigualdades, mas pelo contrário, o aumento delas, introduzindo a competição como um fator de progresso para toda a sociedade. Em suma, o neoliberalismo, a que estamos submetidos tirou da página da história do capitalismo qualquer retorno as proposições sociais-democratas e de seu Estado do Bem-Estar. Neste sentido, qualquer sugestão, no âmbito do capitalismo, em particular brasileiro, levando em consideração o histórico de atrocidades cometidas por nossas elites, que apresente a educação como saída se converte em engodo, em falácia, em ideologia pura.
Historicamente, o movimento negro e os movimentos sociais no seu conjunto vêm discutindo a problemática racial e propondo soluções para essa questão. Reconhecemos a luta pelo socialismo como um aspecto fundamental para transformar esta realidade. Contudo, não podemos deixar de lado os elementos específicos que enfrentamos.
Há muitos que vêem as ações afirmativas como proposições equivocadas e como remissão do capitalismo para um de seus problemas estruturais, visto que onde há capitalismo, há racismo. Mas temos que vê-las de outra forma, como proposições nossas, surgidas a partir de nossos enfrentamentos e como conseqüência deles. Há bastante tempo, o movimento negro, com a solidariedade de outros movimento sociais, traz a reparação racial como elemento essencial de nossa luta e è importante que não esqueçamos disto. Precisamos compreender que esta proposta sai das entranhas do movimento, de nossos embates, de nossas tensões, de nosso choro, alegrias e sofrimentos. Querem nos convencer de que essa proposta é alienígena, estrangeira, anglófila, mas isso não e verdade.
Por fim, gostaria de lembrar que há um Estatuto da Igualdade Racial a ser votado no Congresso Nacional e de que precisamos, antes de tudo, de unidade nesta guerra, e que sem ela, não chegaremos a lugar algum, é fundamental convencermos a sociedade brasileira de que teremos um país melhor e mais justo se conseguirmos aprová-lo.
http://www.pelenegra.blogspot.com
Março 22, 2008 às 12:40 pm
Anônimo
[...] março 21, 2008 às 9:02 pm [...]
Abril 17, 2008 às 1:39 am
janykreyde
é isso ai galera
eu janikreyde tô na área….
.siudi0g jy