* Por Suzana Tavares

Em 1984, alguns pais de crianças e adolescentes portadores de distúrbios severos de comportamentos preocupados em oferecer um suporte pedagógico e clínico aos seus filhos, se uniram e fundaram a Escola – Clínica Evolução que hoje está localizada da Rua Alberto Fiúza, conhecida como “rua da feira” no Imbuí.

A presidente da escola Ângela Vindgal foi uma das pioneiras na criação da instituição que tem como missão atender crianças e adolescentes com deficiências mentais graves, oferecendo tratamento clínico e pedagógico. A presidente diz que é muito raro receber ajuda do governo. “Somos uma instituição filantrópica nos mantemos com que a comunidade dá, dependemos da boa vontade das pessoas”.

A presidente conta que a escola começou no bairro de Amaralina com uma casinha alugada pelos pais e há 15 anos funciona no bairro do Imbuí. “Só o terreno foi cedido pela Prefeitura e aos pouquinhos fomos construindo a escola com muito esforço e garra”. Hoje funciona com 30 funcionários mantidos pela própria instituição dos mais diversos setores: psiquiatras, psicólogos, pedagogos, assistentes sociais, recreadores, professores entre outros.

Dificuldades – A maioria das crianças são autistas uma doença grave crônica e que compromete o desenvolvimento normal de uma criança. “As crianças autistas são muitos metódicas gostam tudo do jeito delas por isso precisam de um tratamento especializado. Muitos pais não tem condições financeiras de manter os medicamentos necessários para a criança e muitas mães não trabalham, pois precisam dá um atendimento redobrado para essas crianças. Algumas vem trazer os filhos e já ficam aqui porque não tem condição de ficar vindo e voltando de ônibus”, conta Ângela.

A instituição tem 110 alunos matriculados e existe uma grande fila na espera de que surja uma vaga. “São crianças muito carentes que precisam de um cuidado especial e individualizado por isso não podemos ter mais de oito crianças em cada sala”, explica.

Integração – A maior tarefa social para as profissionais que trabalham nesse serviço é fazer com que as crianças com distúrbios no comportamento se integrem com a sociedade e que a sociedade se costume com elas.

Como explica o professor de Educação Física Cristiano Lima, 31, que trabalha há 8 anos na escola Evolução. “A partir de um projeto pedagógico direcionado para as crianças especiais de acompanhamento dentro de uma abordagem terapêutica, como por exemplo, saídas para shopping, passear pelo bairro isso para eles é um exercício. Pois com isso nos trabalhamos a socialização”, salienta.

A maioria das crianças chegam desestruturadas e muito agressivas. “Teve crianças que se agrediam, mordendo a mão, dando tapas na cabeça e tinham que chegar aqui com as mãos amarradas. Passando a freqüentar a escola e com o acompanhamento dos profissionais elas foram ficando mais calmas sem se auto-agredir”, conta Cristiano.
As crianças que recebem serviços especializados no tratamento de transtornos neuropsiquiátricos passam a conviver de forma mais natural com os outros se tornando mais independentes.

“Eles passam a pentear seu próprio cabelo, escovar os dentes, coisas simples do dia-a-dia, mas para eles é algo a ser conquistado porque boa parte dos autistas tem grande debilidade na coordenação motora e isso ajuda na auto-estima e iniciativa das crianças”, diz o professor.

“Esse é um trabalho que tem que ser realizado com amor, carinho, empenho e paciência, as pessoas que trabalham aqui devem saber lidar e respeitar as diferenças”, conclui.

Doações – Maiores informações no site www.evolucao.org.br