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Cinco mil imagens da cultura e do povo negro de Salvador integram a exposição de fotos/postais “Resistência Negra na Bahia”, um projeto do artista plástico e fotógrafo Alberto Lima que será lançado nesta segunda-feira (dia 16), às 19h, no Centro Cultural da Câmara Municipal, na Praça Municipal. O evento contará com palestras de Valdina Pinto, Makota do terreiro Tanuri Junssara, com sede no Engenho Velho da Federação; de Samuel Vida, professor, advogado e assessor jurídico da Sociedade Aganju; e do promotor Almiro Sena, Coordenador da Promotoria do Combate ao Racismo do Ministério Público Estadual.
“Em pleno século XXI, nossa velha Salvador ainda trata seus filhos afro-descendentes de forma desigual; apesar de sermos maioria, ainda vivemos sob a égide do desrespeito por parte dos poderes públicos, violência policial, exclusão do mercado de trabalho, discriminação racial, além de termos que conviver com a apropriação e expropriação da nossa cultura, reduzida apenas ao acarajé, axé, baianas e capoeira”, diz Alberto Lima, lembrando que 82% da população da capital baiana é afro-descendente.
A exposição é participativa, com os atores discutindo sobre os produtos das suas imagens e de elementos da sua cultura através de análise em todos os estágios do trabalho (via internet e plenárias). O projeto apresenta imagens de homens e mulheres negras, manifestações culturais e políticas, com o objetivo de contribuir para a elevação da auto-estima, a partir do momento em que os retratados poderão se ver na mídia positiva.
É pretensão do projeto, também, criar uma cultura de investigação, um olhar mais aguçado para fazer releitura das ações políticas, sociais e culturais elaboradas pelas instituições de promoção da igualdade racial e por atores partícipes ou não desta comunidade e de tantos outros aparelhos de mídia. Como resultado, os depoimentos, imagens e artigos colhidos serão publicados no livro “Resistência Negra na Bahia”, que será lançado no mês de novembro na inauguração do Museu da Cultura Afro Brasileira.