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Eidan 2008 no Rodin

Eidan 2008 no Rodin

Pelo amor de Deus, eu não quero usar nada nem ninguém, nem falar do que não sei, nem procurar culpados, nem acusar ou apontar pessoas, mas ninguém está percebendo que toda essa busca insana pela estética ideal é muito menos lipo-as e muito mais piração? Uma coisa é saúde outra é obsessão. O mundo /span>pirou, enlouqueceu. Hoje, Deus é a auto-imagem. Religião, é dieta. Fé, só na estética. Ritual é malhação. Amor é cafona, sinceridade é careta, pudor é ridículo, sentimento é bobagem. Gordura é pecado mortal. Ruga é contravenção. Roubar pode, envelhecer, não. Estria é caso de polícia. Celulite é falta de educação. Filho da puta bem sucedido é exemplo de sucesso.
A máxima moderna é uma só: pagando bem, que mal tem? A sociedade consumidora, a que tem dinheiro, a queproduz, não pensa em mais nada além da imagem,imagem,imagem.Imagem,estéticas,medidas,beleza. Nada mais importa. Não importam os sentimentos, não importa a cultura.
a amizade, a ajuda, nada mais importa. Não importa o outro, o coletivo. Jovens não têm mais fé, nem idealismo, nem posição política. Adultos perdem o senso em busca da juventude fabricada. Ok, eu também quero me sentir bem, quero caber nas roupas, quero ficar legal, quero caminhar correr, viver muito, ter uma aparência legal, mas…Uma sociedade de adolescentes anoréxicas e bulímicas, de jovens lipoaspirados, turbinados, aos vinte anos não é natural. Não é, não pode ser. Que as pessoas discutam o assunto. Que alguém acorde. Que o mundo mude. Que eu me acalme. Que o amor sobreviva. Cuide bem do seu amor, seja ele quem for!!!

texto apócrifo encontrado pór Alben na web

http://www.morsko-prase.hr/regate/jacques_vabre/ruta.jpg

Olhando bem, passaram próximo ao roteiro do tráfico escravo

Consciência à deriva

Em pleno Dia da Consciência Negra, a Secretaria da Cultura e o IPAC teimavam em ceder o Forte de Santo Antônio à Sudesb para entrega de premiações aos participantes da Regata Jacques Vabre, que andou circunavegando o mapa-múndi do Atlântico Norte até à Baía de Todos os Santos.

http://www.lmilani.com/m/images/stories/Capoeira/Diversos/marca.gif

Mestre Moraes e o Grupo de Capoeira Angola Pelourinho (GCAP) reagiram. Toda a programação da entidade, sediada há quase 25 anos no Forte, uma antiga casa de detenção, iria ser posta fora da roda. Bateram pé firme, ameaçaram denunciar o fato à mídia, e conseguiram fazer os timoneiros da Cultura e sua “baianada” saírem à francesa.

Em tempo, a regata está na oitava edição e partiu da cidade francesa de Le Havre, nos dias 3 e 4, com participação de uma flotilha de 61 barcos dos tipos monocasco e multicasco, que percorreram um total de 4,5 mil milhas até Salvador. O barco Groupama 2 liderou e venceu a competição. A patrocinadora da regata é a multinacional produtora de café Kraft Foods, que já tem presença na Bahia, por meio da parceria com pequenos agricultores da Chapada Diamantina.

Obviamente, o objetivo da empresa é ganhar visibilidade para seu produto, que é certificado por instituições de pesquisa e de meio ambiente relacionadas à cafeicultura. Le Havre é o maior porto importador de café do mundo e a Bahia é exportadora do grão.

Parece que a lógica, completamente à deriva, era à base do “navegar é preciso”. Quanto à Consciência, Negra ou não, “ela que se dane”, diriam, por certo. (Albenísio Fonseca)

 

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Mestre Bimba, com Getúlio Vargas, em 1932. O estado reconhece a capoeira como esporte “genuinamente” brasileiro

 

 

A face subversiva da capoeira

Albenísio Fonseca

 

Abre a roda. Da história. Deixa o berimbau ecoar. Ícone por excelência da baianidade, a capoeira é o tema do Carnaval 2008, em Salvador. Ritual , dança, luta, malabarismo desenvolvido pelos negros africanos escravizados no Brasil, a capoeira revela, nas gingas do seu microcosmo, formas de resistência aos opressores, transmissão da cultura, melhora da moral subjugada, e distingui-se de outras lutas marciais pela presença da música a dar ritmo aos movimentos.

O termo “capoeira” é atribuído à vegetação rasteira que circundava engenhos de açúcar – habitat primordial do trabalho escravo. Seu lugar na história é registrado desde os séculos XVIII e XIX. No Rio, Recife e Salvador. Mas existe uma face subversiva da capoeira, a proibida e duramente reprimida.

 

Início do século XIX. Rio de Janeiro. Capital do Império. “Maltas de capoeiras” são acusadas de provocar inquietação e pavor na elite carioca. São constantes episódios de confrontos com a polícia. Mesmo sem ser considerada crime, pesava sobre a prática dos capoeiras a acusação de perturbação da ordem pública e porte de armas.

 

Os pedidos de criminalização surgem a partir de 1870. A “civilização” elabora a necessidade de extirpar a “barbárie”, isto é, a capoeiragem. Mas seria com a República, através do Código Penal de 1890, que ela é proibida. O capítulo 402 do novo código, “Dos vadios e capoeiras”, já explicitava o alvo da pena.

 

Sob a Monarquia, muitos foram presos e deportados para Fernando de Noronha ou Mato Grosso. Outros, recrutados para o serviço militar e lançados ao genocídio da Guerra do Paraguai (1865-70). A repressão, contudo, tendia a animar a indisciplina fundamental do guerreiro, o questionamento da hierarquia, a insurgência contra o poder.

 

Capaz de suportar a pressão da violência do Estado durante décadas, a capoeira sobreviveria ao pesado investimento em dispositivos para aniquilar sua prática, durante o século XIX. Contava com aliados subterrâneos, apoios ocultos, como as casas de zungus - empreendidas por africanos libertos, e que desestabilizavam as relações de dominação durante a escravidão – lugares de acolhida e passagem, pontos de fuga para quilombos rurais.

 

 

A trégua entre os capoeiras e o Estado viria na década de 1930, com sua institucionalização como esporte nacional no governo Getúlio Vargas. Em 1932, os capoeiras começam a tornarem-se capoeiristas. Mestre Bimba funda a primeira academia de capoeira, em Salvador. Acrescenta movimentos de artes marciais, cria a capoeira Regional. Mestre Pastinha, em contraponto, prega a tradição da capoeira como jogo matreiro, de disfarce e ludibriação, estilo que denominaria Angola. A capoeira deixava de ser marginalizada, se espalha da Bahia para todos os estados brasileiros, e hoje, praticada em 100 países, dá a volta ao mundo. Em 2008, Salvador abrigará uma Bienal da Capoeira e a arte será tombada como patrimônio cultural brasileiro. Abre a roda. Deixa o berimbau ecoar.

(Artigo publicado originalmente em A Tarde – Opinião, Pág. 2 – 17.11.2007)


Mestre Pastinha e a capoeira Angola, o contraponto


Mestre João Pequeno, 90 anos em dezembro

 

Edital, Bienal e Tombamento

O Ministério da Cultura (Minc) lançou, dia 10 de outubro, em Salvador, o novo edital do programa Capoeira Viva, que distribuirá um total de R$1,2 milhão a projetos de todo o Brasil que tenham como vértice a mistura de luta, dança e rito trazida ao Brasil pelos negros escravos, no final do século XVIII.

Realizada no Palácio Rio Branco, a solenidade homenageou o mestre capoeirista mais antigo ainda vivo, João Pequeno. Ele completa 90 anos em 27 dezembro. O ministro interino Juca Ferreira anunciou ainda que Salvador sediará, em 2008, a Bienal Mundial da Capoeira, que se converterá, também, em palco da festa de tombamento da arte como patrimônio cultural brasileiro.

O Minc premiará projetos ligados à Capoeira em quatro linhas: ações sócio-educativas de mestres capoeiristas com foco na recuperação da auto-estima, que podem receber de R$8 mil a R$18 mil cada um; projetos inéditos de pesquisa e documentação sobre o desenvolvimento da capoeira no Brasil e exterior, no valor máximo de R$20 mil; apoio a acervos documentais, cujo aporte chegará até R$50 mil; projetos de utilização de mídias e suportes digitais, eletrônicos e audiovisuais, que podem receber até R$30 mil.

Segundo o presidente da Fundação Gregório Matos, Paulo Costa Lima, “este projeto faz parte do intento do Minc em transformar a capoeira como instrumento de políticas públicas”. O órgão coordenará o processo do edital. As inscrições estão abertas até 17 de dezembro. O resultado da seleção sai em fevereiro. O valor destinado nesta edição é 29% superior ao anterior, quando foram premiados 74 projetos.

Jobim inventa inspeção e

usa avião da FAB para lazer

A imagem “http://wbloggar.com/marcelo/images/cartacapital207.jpg” contém erros e não pode ser exibida.

De novo?

Com a mudança da malha aérea reduzindo o número de vôos para a Bahia, e diante da queda no fluxo de turistas para o estado, o ministro da Defesa Nelson Jobim resolveu engrossar as estatísticas da Bahiatursa. Pelo menos no que tange ao número de visitantes em Porto Seguro.
Mas os democratas não gostaram. E através do seu site na internet, o DEM pediu que o Ministério Público investigue o ministro da Defesa. Segundo o partido, Jobim usou um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para ir a Porto Seguro passar o fim de semana prolongado na casa de praia de Francisco Gros, ex-presidente do Banco Central no governo Fernando Henrique.
Para usar o avião oficial na viagem até o local combinado, segundo a nota, Jobim marcou inspeções nos aeroportos de Porto Seguro e Ilhéus, na manhã de quinta-feira. Ou seja, na véspera do feriado, quando servidores da Infraero decretavam greve branca e causavam congestionamento e confusão no aeroporto de Guarulhos, Jobim fazia vistoria no pequeno Aeroporto de Porto Seguro. A assessoria de Jobim informou que o ministro não se manifestaria sobre a nota do DEM.
Jobim e o DEM se estranharam recentemente. Há cerca de duas semanas, o ministro da Defesa travou um ríspido diálogo com o presidente do partido, o deputado Rodrigo Maia (RJ). Durante festa no apartamento do senador Demóstenes Torres (DEM-GO), Jobim foi interpelado por Maia sobre uma nota da imprensa.
O que você na ilustração acima é a capa de edição da Carta Capital mostrando o Presidente Fernando Henrique tomando banho juntinho com o então ministro do TSE Nelson Jobim. Vejam só uma das coisas que tem na matéria:

“Fatos. Fernando Henrique Cardoso é presidente do Brasil. Na primeira porção do seu governo, e até abril de 1997, Nelson Jobim foi ministro da Justiça. Depois, por indicação do presidente da República, tornou-se ministro do Supremo Tribunal Federal.

Jobim é casado com Adrienne Senna, que no Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) é detentora do poder de puxar – ou não puxar – o fio do fluxo e contrafluxo financeiro, em especial o ilegal, que circula, entra e sai do País. Quando Jobim e Adrienne se casaram, o padrinho foi José Serra – que um dia já dividiu apartamento em Brasília, com Jobim“. (by Albenísio Fonseca)

Ato de protesto pela prisão da líder da oposição Aung San Suu Kyi

Calcinhas para Embaixadas de Mianmar

 

Numa tentativa de expor ao ridículo a junta militar que governa Mianmar, mulheres de vários países começaram a enviar calcinhas para embaixadas do país em todo mundo, num ‘protesto cultural’ contra a onda de violência promovida pelo governo nas últimas semanas.

Segundo Liz Hilton, ativista do grupo “Panties for Peace” (Calcinhas pela Paz, em inglês), “esta é uma mensagem muito forte ao governo de Mianmar e a todo o sudeste asiático”. O grupo diz que os generais do país – especialmente o líder da junta militar, o general Than Shwe – são supersticiosos e acreditam que o contato com roupas intimas femininas enfraquecerá o seu poder.

Liz disse ainda que mulheres da Tailândia, Austrália, Cingapura, Inglaterra e países europeus começaram a mandar suas calcinhas para embaixadas seguindo informalmente as coordenadas propostas por ativistas da organização.

“Você pode postar, entregar ou mandar de avião suas calcinhas para a embaixada de Mianmar mais próxima a qualquer hora do dia. Mande logo, mande várias!”, diz o site do grupo, que ainda disponibiliza o endereço da embaixada de Mianmar na Tailândia e um link com todas as representações do regime militar no mundo.

Liderados por monges budistas, dezenas de milhares de manifestantes tomaram as ruas de Mianmar pedindo democracia e o fim da repressão militar. Os protestos foram reprimidos pelo exército, que confirma a morte de 10 pessoas, embora a oposição afirme que esse número seja bem maior.

Brasil Contra a Pedofilia

Imagem de bebê com identificação

“homossexual” gera polêmica

Uma campanha institucional contra a discriminação sexual que mostra imagem de um recém-nascido com uma pulseira de identificação onde, em lugar do nome, se lê “homossexual”, reabriu na Itália o debate sobre a ética na publicidade.

A região da Toscana (centro da Itália) é a responsável pela campanha, patrocinada pelo Ministério de Igualdade de Oportunidades, e que recebeu o apoio de associações de homossexuais e parte da esquerda, assim como críticas dos conservadores, que a consideram “horrorosa”.

A fotografia, cedida gratuitamente pela fundação canadense Emergence, aparecerá em outdoors e postais da região sob o lema “A orientação sexual não é uma escolha”.

A imagem foi utilizada também em um evento contra a discriminação sexual realizado em Florença, capital da região, nos dias 26 e 27, dentro de um festival de criatividade.

O responsável regional pela escolha da imagem, Agostino Fragai, justificou ao jornal “Corriere della Sera” que a campanha não pretende entrar na origem do homossexualismo, mas ressaltar que ele “não é um vício e, por isso, não deve ser condenado, marginalizado ou pior ainda, perseguido”.

O presidente da associação homossexual italiana Arcigay, Aurelio Mancuso, disse que a campanha está “totalmente na vanguarda” da defesa dos direitos dos gays e afirmou que a Itália deveria “se adequar” à visão da Toscana sobre o assunto.

A imagem do bebê também tem opositores, como o líder da conservadora União de Democratas Cristãos na Câmara Baixa, Luca Volonté, que classificou a campanha de “horrorosa”. Para Volonté, “utilizar recém-nascidos para dar a idéia de que os impulsos homossexuais são uma característica inata das crianças é uma desculpa vergonhosa do ponto de vista científico, político e social”.

O partido de Silvio Berlusconi, o Forza Italia, disse à imprensa local que “para afirmar um modelo alternativo de sociedade, na qual domina a indeterminação sexual, a região Toscana não vacila em utilizar um recém-nascido de forma instrumental e ideológica”. (Albenísio Fonseca, com agências internacionais)

 


 

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Largo do Teatro, atual praça Castro Alves, em 1865, com prédios do Teatro São João e do jornal O Mercúrio. O monumento encontra-se, hoje, no Largo da Mariquita, no Rio Vermelho – Fonte: Gilberto Ferrez

 

Artigo da vereadora Aladilce Souza (líder da bancada do PC do B) publicado recentemente na página de Opinião do jornal A Tarde faz por merecer a reflexão, maior discussão e participação na elaboração do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano de Salvador-PDDU. Não podemos passar ao largo desse projeto que determinará as ações do poder público nos próximos 10 anos. A elaboração dos planos diretores têm gerado polêmicas e controvérsias em todos os municípios com mais de 20 mil habitantes (Albenísio Fonseca).

 

PDDU
Mais que um projeto de lei

 

Aladilce Souza*

A cidade de Salvador vive um momento histórico ímpar, em razão da possibilidade de revisão ou mesmo da elaboração de um novo Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano – PDDU, instrumento básico das políticas de desenvolvimento e expansão urbana direcionadas às necessidades dos cidadãos quanto à qualidade de vida, justiça social e desenvolvimento econômico.

Trata-se de momento crucial para o futuro de Salvador, no qual poderemos discutir os vários aspectos que compõem o viver nesta cidade. Se admitimos que o planejamento não deve ser tratado como mera figura de retórica, mas como uma ferramenta de poder para mudar situações, o Plano Diretor torna-se elemento fundamental para o exercício de governo. Planejar, acima de tudo, para não ser arrastado pelos acontecimentos.

A valorização do PDDU é imperiosa não apenas como um documento legal, mas principalmente como um processo político (e técnico) para se pensar a cidade real e decidir sobre a cidade que se quer para a próxima década. Mais do que cumprir um calendário de audiências públicas, e ao final aprovar mais uma Lei, cabe à Câmara Municipal o papel de estabelecer um diálogo verdadeiro e efetivo com a cidade e sobre a cidade.

Debates sobre o desemprego e as possibilidades de geração de emprego e renda, a ocupação desordenada, as profundas desigualdades sociais marcadas pela discriminação de gênero e raça, o trânsito e tráfego caóticos, os serviços de saúde e educação, os vetores para o desenvolvimento, devem ser intensamente discutidos pelos diversos atores sociais da cidade.

É necessário se pensar, também, a preservação e promoção dos valores históricos, culturais, urbanísticos, ambientais e religiosos de Salvador. Isto é, tudo que a identifique, distinga e garanta a sobrevivência do povo soteropolitano.

Trata-se de grande desafio, porque pressupõe diálogo e entendimento entre segmentos que, muitas vezes, não se entendem por viverem realidades distintas e terem interesses contraditórios. Pode-se com o PDDU avançar na busca de consensos, ainda que temporários, em meio à realidade dinâmica e o permanente jogo de forças diversas.

O que não se pode aceitar é que os grupos ou classes sociais, responsáveis pela realidade urbana desigual e caótica de hoje, continuem fazendo prevalecer os seus interesses. Ou seja, o PDDU ao ser aprovado na Câmara Municipal tem que efetivamente contribuir para uma Salvador que, ao mesmo tempo, tenha maiores possibilidades de desenvolvimento econômico e seja uma cidade mais humana e mais justa. Isso não se faz em caráter de urgência, mas no tempo necessário para que o PDDU efetivamente sirva a que Salvador possa exercer sua função social, garantindo melhor qualidade de vida para todos os que nela vivem, estudam, trabalham ou apenas transitam. Por uma cidade melhor!

—————————–

*Aladilce Souza, vereadora, líder da bancada do PC do B, é vice-presidente da Comissão de Planejamento Urbano e Meio Ambiente da Câmara Municipal de Salvador.
E-mail: aladilce@cms.ba.gov.br

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Panorâmica da cidade de Laje, no Vale do Jiquiriçá

 

Artigo da prefeita de Laje, Ilma Maria Barreto, publicado recentemente na Opinião de A Tarde, e justo quando ocorria em Salvador um Congresso Mundial de Segurança, pos no fogo-cruzado a questão da falta de segurança nos municípios baianos, em particular. O artigo foi inserido nos Anais da Assembléia Legislativa da Bahia a pedido do deputado Heraldo Rocha (DEM).

 

Segurança nos municípios

Ilma Maria Barreto*

A questão da segurança pública nos municípios é algo que requer, tanto da Secretaria Estadual de Segurança Pública quanto do comando da Polícia Militar, e do próprio Governo do Estado, uma atenção muito maior que a supostamente dedicada à questão. O assalto – verdadeiro “arrastão” – à agência do BB, casa lotérica e a diversas lojas no município de Laje, na última sexta-feira (19), sinaliza, ao mesmo tempo, o quanto de ousadia pode ser demonstrada por grupos armados, e a vulnerabilidade das cidades no quesito segurança pública, de uma maneira geral.

Com entroncamento na BR-101 com a BA-420, Laje está localizado em trecho estratégico e de intenso movimento rodoviário, para o acesso a diversos municípios do Vale do Jiquiriçá e do Sul do estado. Este fato, por si só, já impõe a necessidade de se dispor de um aparato policial mais ostensivo na região.

Ocorre, contudo, que à revelia de normas funcionais e administrativas, às prefeituras tem cabido a manutenção de prepostos da PM e da Polícia Civil, seja com a destinação de recursos para alimentação dos policiais, quanto para combustíveis e reparos mecânicos das viaturas, aluguel de casa e funcionários, todos de responsabilidade do estado. Laje não detém exclusividade nesse dispêndio para a imprescindível segurança de seus cidadãos e dos patrimônios público e privado, e não apenas nas áreas urbanas.

O amplo crescimento dos índices criminais e de violência em praticamente todo o país, a crise dos meios e políticas tradicionais de ação diante do problema e o caráter prioritário que este passa a ter entre as demandas da opinião pública, têm exigido dos diversos setores públicos não mais poder esquivar-se da parcela de responsabilidade sobre o setor. Sejam governos municipais, organizações não-governamentais, centros de pesquisa, iniciativa privada, organizações internacionais e, principalmente, dos governos Estadual e Federal.

A implementação, pelo Ministério da Justiça, do Pronasci-Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania, por mais importante que seja, ao articular políticas de segurança pública com ações sociais, no ataque às causas e não às consequências da violência, ainda é uma iniciativa tímida e passível de críticas. Entre outros aspectos, pela limitação de sua abrangência às regiões metropolitanas.

Entendemos que a segurança pública municipal não é apenas um caso de polícia. Mas sem percebermos a ação dos órgãos federais e estaduais, constitucionalmente responsáveis pela adoção de políticas de segurança; sem que os gestores municipais disponham de recursos e informações, inclusive em caráter científico, que permitam avaliar as políticas implementadas e promovam o redirecionamento das ações policiais de caráter preventivo e repressivo, conforme as necessidades indicadas pela dinâmica da criminalidade, nosso temor – que se soma ao pânico dos cidadãos – é que nos tornemos, sem ter a quem apelar, em permanentes reféns de bandidos e do crime organizado.

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Ilma Maria Barreto

(*)Prefeita Municipal de Laje-Ba e Coordenadora do Consad-Conselho Nacional de Segurança Alimentar para o território do Vale do Jiquiriçá.

ilma.barreto@ig.com.br

A imagem “http://eutambemvoureclamar.com.br/imgeral/fome.jpg” contém erros e não pode ser exibida.

Entre a fome e o

combustível

Albenísio Fonseca

 

Em meio ao anunciado fim da era do petróleo e da redenção energética através da biologia e da agricultura, o economista, engenheiro e diretor da École Supérieure d’Agriculture d’Angers, na França, Bruno Parmentier, um pesquisador sobre o futuro da alimentação, vem tirando o apetite dos estrategistas europeus, desde que lançou o livro Nourrir l’Humanité (Nutrir a Humanidade, ed. La Découverte ).

No best-seller, ainda sem tradução em português, ele acena com uma “era da penúria” e parte do princípio de que garantir a nutrição de uma população fortemente expandida é uma novidade radical para a humanidade. Se até o século 16, a população mundial pouco evoluíra, e apresentou crescimento suave nos séculos 17 e 18, seguido de outro mais acentuado no 19, tocando mais a Europa e a Ásia, depois se espalhando para outras partes, em 1900 havia no planeta 1,8 bilhão de habitantes, 50% dos quais comiam satisfatoriamente. Mas contavam-se 800 milhões de mal nutridos. Há pouco mais de 50 anos, em 1950, éramos 2,8 bilhões e havia algo em torno de 800 milhões de pessoas com fome. Hoje, com a população mundial batendo no teto dos 6,3 bilhões continuamos encontrando algo como 800 milhões de famintos.

No viés otimista da leitura desses números, há a bela performance de que, em um século, a humanidade conseguiu dar o que comer a mais 4,5 bilhões de pessoas. Mas Parmentier nos leva a observar com certo pessimismo essa estranha “lei” fundamentada em um número persistente: Qualquer que seja a população do planeta há sempre algo como 800 milhões passando fome.

É imperativo encontrar alternativas. Mas as reservas de terras disponíveis para agricultura são cada vez menores, boa parte por conta da urbanização. A mecanização da agricultura, a fabricação de fertilizantes e outros modos de produção dependem de energia. Com o preço mundial do petróleo sob forte tendência de alta, será extremamente sensível o impacto psicológico da cotação rompendo o patamar dos US$ 100, já iminente. Isso complicará a vida dos 28 milhões de agricultores do mundo que dependem da mecanização do setor. Em contrapartida, cerca de 250 milhões de produtores rurais trabalham com energia animal e 1 bilhão não têm nem animais nem tratores. Um bilhão de produtores estão completamente à margem!

Com cenários de números e estatísticas, ele se posiciona como defensor da produção de biocombustíveis, mas não com base em cereais, e questiona o fato de o Brasil, enquanto potência agrícola, ainda não ter solucionado a nutrição da sua população. Bruno Parmentier nos lança à reflexão e de frente à equação regida por uma coincidência: 800 milhões de pessoas sentem fome no planeta. Temos uma frota global de 600 milhões de automóveis e 200 milhões de caminhões. O número é o mesmo: 800 milhões querem comida, 800 milhões querem combustível. E agora?

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http://albenisio.spaces.live.com/

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