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Caros leitores,scritta_logomt

Como todos sabem, problemas e CRISES NÃO TÊM HORA para acontecer. São imprevisíveis. Eclodem quando menos se espera. Já as respostas e ações de contenção podem ser perfeitamente administradas, desde que mapeadas e analisadas em dias de normalidade. Ninguém toma boas decisões com a cabeça quente e no OLHO DO FURACÃO.

Scritta_menuDias desses respirei aliviado ao fechar a porta da agência numa sexta-feira, já no início da noite. Tivemos uma SEMANA CHEIA – ações em muitas frentes, pautas pipocando aqui e ali, reuniões e mais reuniões, e uma daquelas viagens bate e volta para deliberar sobre estratégia de inauguração da nova planta de uma indústria que atendemos.

Mas meu celular toca às 23h37. Do outro lado da linha, uma NOTÍCIA INCÔMODA. O gerente de um hotel informava o SUICÍDIO DE UM HÓSPEDE – um empresário afamado em sua cidade de origem. SUA PREOCUPAÇÃO: que repercussão o incidente teria na mídia?

Era o primeiro caso que ele enfrentava. Eu já devo estar no 13º. Sim, suicidas em hotéis são MAIS COMUNS que ocorrências de furtos, roubos ou a detenção de traficantes. Épocas atrás cheguei a manejar, no mínimo, um caso por mês. Só mudava o endereço.

Expliquei ao gerente que um suicídio é uma DELICADA QUESTÃO editorial. Informei que costumeiramente a imprensa NÃO NOTICIA. Que existe uma espécie de consenso no jornalismo segundo o qual a publicação desse assunto pode motivar outras pessoas em desespero ou depressão.

“Mas o sujeito é um empresário famoso e poderoso em sua cidade natal”, argumentou o gerente. Um SURTO DE DÚVIDA e ponderação se alternaram em meus pensamentos que, minutos antes, estavam quase adormecidos. “As chances do caso ser noticiado são maiores na cidade de origem do falecido e isso só a partir de segunda-feira”, retruquei.

DITO E FEITO. O episódio ganhou uma certa repercussão em Palmas por uma série de circunstâncias nebulosas envolvendo a vida empresarial do suicida, mas nenhuma linha saiu em Belo Horizonte. No próximo episódio, o gerente estará mais descolado. Pode dormir sossegado. Até o próximo mês, Paulo Piratininga

LIVRO DO POVO

Quero realmente contribuir com a busca de soluções políticas para o livro, a leitura e a literatura na Bahia e no Brasil, mas ainda não consigo entender porque uma necessidade tão premente, tão gritante, tão importante para o povo baiano e brasileiro anda tão desvalorizada pela secretaria da cultura do nosso estado e pelo Minc, a ponto do próprio ministro, Juca Ferreira, recentemente, reconhecer de público o pouco que foi feito e o muito que se tem por fazer nesse setor vital para a formação, evolução e confirmação de cada integrante do povo como cidadão pleno, consciente, sábio e potente, e do país como nação soberana, livre e independente.

Aqui na Bahia realmente é desalentador saber que o teatro, outro setor importantíssimo, assim como a música, a dança, o circo, o cinema, o vídeo, a fotografia, as artes plásticas, etc., recebeu nesses três anos de governo milhões de reais, só do fundo de cultura, enquanto que o livro, a leitura e a literatura vivem à míngua, mas não levando também à míngua o potencial criador, reflexivo, opinativo, imaginativo, inventivo e crítico do povo como um todo.

Então não é falta de grana, ela existe e está sendo gasta, mas da falta de prioridades, quer dizer, de políticas, de vontade política para o uso da grana nesse setor. As razões são inúmeras, históricas, e se refletem no hoje. Como pode apenas doze pessoas terem sido contempladas com edição de livros através dos editais da Fundação Pedro Calmon? Para um estado com mais de doze milhões de habitantes? Algo está errado sim senhor, e precisa ser corrigido o quanto antes.

São dezenas de festivais locais, nacionais e internacionais de teatro, cinema, dança, etc., e, com exceção de um seminário de “nova” literatura (tem velha? Literatura nova indígena? Africana? Infantil? De vanguarda? Experimental? Que tipo de “novo” afinal? Faixa etária? Estilo? Talento? E quem define o que é “novo”? Um menino de dez anos cujo pai é acadêmico, estuda no Vieira, é capaz de algo “novo”? Um menino igual morador de uma favela pode fazer algo “novo”? Cora Coralina fez literatura “nova” ou “velha”? E Manoel de Barros? O que é “literatura nova” afinal?) uma vez por mês na academia, (grande novidade) encontros esparsos de escritores, em sua maioria organizados por eles mesmos, nada, nada com relação ao livro, à leitura e à literatura acontece de forma sistêmica e apoiada por políticas culturais gestadas do diálogo entre a comunidade e o governo (isso poderia ser “novo”).

Na área da edição de livros ainda o esforço heróico de alguns editores, na verdade obrigados a se tornarem “despachantes” de escritores ansiosos por terem seus escritos veiculados na forma de livro. A bienal do livro é um fracasso a cada ano do ponto de vista da indústria do livro no estado, da formação de um pólo do livro na Bahia, do incentivo à leitura, do acesso ao livro e aos escritores, e principalmente da promoção do escritor baiano.

Resume-se à praça do cordel e poesia, ao estande da câmara baiana do livro e de alguns escritores abnegados e com recursos para alugar um espaço. Um ou outro participa do Café Literário, um formato obsoleto e que precisa ser repensado, mas como a bienal tem um dono, a Fagga Eventos, fica difícil pensar em mudanças como é sabido de todos. Daí a necessidade cada vez maior de se dotar Salvador de uma FEIRA DO LIVRO organizada pelos integrantes do sistema produtivo do livro e voltada para as necessidades desse sistema como um todo.

O incentivo à leitura limita-se às ações esparsas desenvolvidas por algumas ONGs, pelas pouquíssimas bibliotecas públicas existentes e pelas heróicas, e mais reduzidas ainda, bibliotecas comunitárias. Quanto à literatura, aí é um nada bem redondo mesmo. Senão vejamos: a literatura de cordel teve um edital do qual ninguém participou tal os entraves burocráticos criados pela falta de diálogo com os cordelistas. Temos até agora só um ponto de venda de cordel criado por governos passados.

A literatura infanto-juvenil teve um mini seminário no “vila, velho” e dois anos depois esse encontro do “lobo mau que não é mau” (mas rói o seu mingau), e nada mais. Alguns escritores negros e indígenas, homossexuais e mulheres, foram contemplados, mas não passam de meia dúzia de três ou quatro para todo o estado. Nenhum encontro estadual, nem nacional e muito menos internacional, uma necessidade urgente, foi realizado no âmbito da literatura. Falta dinheiro? Não pode ser porque não falta para as outras linguagens.

O que fazer? Gostaria de submeter à apreciação de todos, as seguintes sugestões: criação, no âmbito da Empresa Gráfica da Bahia, de um programa chamado “LIVRO DO POVO”, um sistema editorial voltado para atender as demandas dos escritores oriundos dos setores populares que não conseguem participar dos editais, mas que precisam veicular seus escritos e colocá-los ao alcance de seus leitores.

Seriam livros inspirados nos livros de cordel, com baixa tiragem (100 a 200 exemplares), formato de bolso e meio ofício, ou outros formatos inusitados, ainda menores (quadradinhos) ou em plaquetas, envelopes, caixas de fósforo, etc, em papel ofício, o miolo, e papel cartão, a capa, uma cor (ou papel colorido), canoa ou cola, semelhantes aos produzidos pelo Movimento Poetas na Praça e também pelo Movimento de Ocupação Cultural de Poetas e Poetisas (MOCPOP), e que são vendidos diariamente à população.

Livros com custos acessíveis e com distribuição garantida pela aquisição de parte da edição pelo estado para as bibliotecas públicas e escolares, por um “CIRCUITO DE LITERATURA POPULAR” pelos Centros de Cultura do Estado com lançamento, debates, leitura e recitação de textos com a presença dos autores dos livros lançados, e pela venda direta do autor com o público interessado em universidades, faculdades, cursos, sindicatos, associações, abertas aos escritores baianos e seus livros, e outras casas de cultura.

Desse modo as demais editoras poderiam também gozar da aquisição de seus livros pelo estado, seus escritores participariam também de um outro circuito pelos Centros de Cultura, e também seriam levados a lançar seus livros em universidades, sindicatos e casas de cultura. Com isso iria se dinamizar de sobremaneira o sistema produtivo do livro contemplando todos os seus setores. A indução do estado seria mínima mas focalizada e contemplando também as necessidades do mercado, só que tendo como foco principal as necessidades do povo, e tendo o mercado como uma ferramenta importante, mas complementar.

Outra sugestão é transformar, porque é barato e acessível, cada praça da cidade num Centro de Cultura Popular, como já vem fazendo por conta própria o MOCPOP na Praça da Piedade. Semanalmente são realizadas várias ações culturais como recitais de poemas, mostras de música, dança, teatro, leitura pública de textos com doação de livros à população, feira de livros, oficinas culturais, performances, debates, etc. Esse tipo de ação pode ser repercutida para outras praças utilizando o potencial existente no entorno delas que não possui ferramentas mínimas de expressão e valorização de sua produção cultural, notadamente na área do livro, da leitura e da literatura.

Geraldo Maia - Poeta - 71 8219-5934


Comunicação para a cidadaniauneb_logo

Programa de Pós-Graduação em Educação e Contemporaneidade (PPGEduC) da UNEB realiza II Simpósio Mídia-Educação – Iniciativa debate papel da Comunicação para exercício da Cidadania – Dia 27/outubro, em Salvador – Inscrições de trabalhos: até dia 16/outubro

Produções midiáticas atuais, avanços tecnológicos, formação dos cidadãos e construção de sentidos sociais na contemporaneidade.

Esses são os temas que serão abordados no dia 27 de outubro, durante o II Simpósio Mídia-Educação, evento realizado pelo Programa de Pós-Graduação em Educação e Contemporaneidade -PPGEduC, com a parceria da Pró-Reitoria de Extensão (Proex) da Universidade do Estado da Bahia (UNEB).

A iniciativa é aberta ao público e acontece das 8h às 18h30, no Teatro UNEB, no Campus I da instituição, em Salvador.

O evento visa a discussão da função social da comunicação para o exercício da cidadania, entre gestores, professores, estudantes de graduação e pós-graduação, além de profissionais da área de tecnologia, comunicação social, educação, pedagogia, psicologia, ciências sociais e licenciaturas diversas.

Para se inscrever os interessados devem preencher uma ficha de dados e enviar para o endereço eletrônico simposiomidiaeducacao@gmail.com. O investimento para participar da atividade é de R$30 para profissionais e R$20 para estudantes, que deve ser pago até o dia 22 de outubro.

Os interessados em apresentar trabalhos no simpósio devem preencher uma ficha de inscrição específica – observando as instruções para submissão – e enviá-la para o e-mail da organização até dia 16 de outubro.

Beth Dantas, coordenadora executiva do evento, ressalta a importância do simpósio para a construção de novos saberes no meio educacional brasileiro.

“A escola e os docentes precisam ter conhecimentos sobre as novas tecnologias vigentes para acompanhar e direcionar as crianças e adolescentes que estão imersos nesse contexto”, observa a coordenadora.

A programação inclui uma conferência de abertura com o jornalista e doutor em Comunicação, Osvaldo Biz, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS). Na ocasião, o jornalista vai realizar uma sessão de autógrafos do seu livro Mídia, Educação e Cidadania.

Professores de programas de pós-graduação de diversas instituições de ensino brasileiras também vão participar da iniciativa, a exemplo da professora Lucila Pesce, doutora em Educação pela PUC de São Paulo.

O simpósio conta com o apoio da Secretaria de Cultura da Bahia (Secult).

Informações: PPGEduC/Campus I – 71 3117-2481 texto: Ascom/UNEB

Governo adia Conferência Nacional de Comunicação
Por Redação
, Observatório do Direito à Comunicação

A Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) foi adiada por decisão da Presidência da República. A etapa nacional será realizada nos dias 8, 9 e 10 de dezembro, uma semana após a data prevista no decreto que convocou a conferência (1, 2 e 3 do mesmo mês). A informação foi repassada a membros da Comissão Organizadora Nacional (CON) pelo consultor jurídico do Ministério das Comunicações, Marcelo Bechara.

A decisão foi tomada em reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os ministros responsáveis pela Confecom – Hélio Costa, das Comunicações, Franklin Martins, da Secretaria de Comunicação Social, e Luiz Dulci, da Secretaria Geral da Presidência.

Ao relatar a reunião para os membros da CON, Bechara não explicou os motivos de tal mudança. Disse, apenas, que o presidente estava muito otimista, contente com a Confecom e que avaliava participar do evento.

Quando do corte nas verbas previstas para a realização da conferência, o governo já havia aventado a possibilidade de adiar a conferência. Depois, os impasses criados pelas representações empresariais dentro da CON atrasaram a edição do regimento interno e as organizações e movimentos sociais envolvidos no processo chegaram a propor uma revisão do calendário. A preocupação era o prazo curto para a realização das etapas locais e das conferências estaduais, que elegem os delegados da Confecom.  __._,_.___

seixo rolado regala o caroço

seixo rolado regala o caroço

cartaz fórum fly

cartaz fórum fly

Caros leitores, logomt QUANTO VALE UMA NOTÍCIA? Certamente é uma boa pergunta e você já refletiu sobre isso. Já deve ter imaginado os resultados estrondosos de uma veiculação da sua empresa na mídia ou a repercussão de uma declaração sua na televisão. É impossível negar o poder dos meios de comunicação de mobilizar pessoas, formar filas em frente a uma exposição ou destruir a reputação de um estabelecimento de ensino.menu scrittaMas EXISTEM VEÍCULOS E VEÍCULOS. Informações frias veiculadas no UOL ou no Jornal Nacional têm alcance extraordinário se comparadas a notícias quentes em jornais de pouca expressão. Sim, são DOIS PESOS para uma mesma medida. Temos um cliente que aparece semanalmente num programa de televisão em horário nobre, e em rede nacional. Nem por isso ele está famoso ou pessoas de seu círculo íntimo relatam sua última performance no vídeo. Mas recentemente conseguimos a proeza de colocá-lo – em um intervalo de 20 dias – no JORNAL NACIONAL e no SPTV 1ª EDIÇÃO. São em oportunidades como essas que se descobre o que é realmenteAUDIÊNCIA. Nosso cliente foi abordado por vizinhos que comentaram a entrevista, e-mails de amigos esquecidos ressurgiram do nada, ele recebeu inúmeros tapinhas nas costas de executivos de seu networking e até a querida tia-avó soube da reportagem. Então, se você e sua assessoria desconhecem a FÓRMULA DO SUCESSO e bons resultados na televisão brasileira, vou cantar a bola. FIXE-SE NO IBOPE. Um ponto de audiência significa 60 mil domicílios ligados na Grande São Paulo ou cerca de 180 mil pessoas diante da TV. São dados que servem como referência para o próprio mercado publicitário. Portanto, PENSE GRANDE! SAIBA MAIS sobre retorno de mídia lendo a próxima informação abaixo. Espero que apreciem o conteúdo de mais uma edição! Até o próximo mês, Paulo Piratininga

Comuniq se

Deputado apresenta proposta
que pede volta do diploma de jornalismo
Da Redação

O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) protocolou nesta quarta-feira (08/07) uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que restabelece a necessidade do curso superior em jornalismo para o exercício da profissão. Para a apresentação da proposta, foram recolhidas 191 assinaturas, 20 a mais que o mínimo necessário.

“Foi extremamente importante a rápida reação da sociedade, desaprovando o absurdo cometido pela Corte Suprema brasileira, e que abriu precedente para a desregulamentação de outras profissões”, comentou o deputado sobre a decisão do Supremo Tribunal Federal, que derrubou a obrigatoriedade do diploma.

Pimenta defende a volta da obrigatoriedade do diploma porque, em sua opinião, o jornalismo não se trata de uma “simples prestação de informação”.

“Essa atividade é mais do que a simples prestação de informação ou a emissão de uma opinião pessoal. Ela influencia na decisão dos receptores da informação, por isso não pode ser exercida por pessoas sem aptidão técnica e ética”, afirmou.

No dia 01/07, o senador Antônio Carlos Valadares tambémapresentou, na outra Casa parlamentar, PEC que pede o retorno da obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão

Aos artistas baianos
Tão certa quanto a necessidade de os jornalistas editarem suas entrevistas, é a possibilidade de má interpretação das poucas palavras transcritas em minutos de uma conversa que não cabem numa reportagem. O Governador Jaques Wagner lamenta a má interpretação dada a trechos das declarações prestadas logo após o desfile cívico do 2 de Julho e publicadas nesta sexta-feira.  Não houve intenção de ofender quem quer que seja, muito menos a classe artística. Em sua entrevista, o Governador fez considerações genéricas sobre críticas ao governo tornadas públicas por qualquer segmento, como fizeram artistas no 2 de Julho. O conceito expresso na entrevista se aplica ao setor cultural e aos demais.

Entende o governador Jaques Wagner que as críticas são naturais da democracia, e, portanto, devem ser absorvidas com naturalidade. Ao suceder um mesmo grupo político e suas práticas, depois de dezesseis anos consecutivos de poder, seria estranho se as mudanças não provocassem reações. Até porque a principal mudança consolidada desde a eleição de 2006 é o respeito à divergência como princípio, e não como concessão.

A política cultural expressa a convicção deste governo em torno da necessidade de dar mais transparência na aplicação dos recursos destinados à área, de desconcentrar os investimentos e estabelecer critérios de acesso a esses recursos, compatíveis com a diversidade cultural da Bahia. O número de projetos contemplados pelo Fundo de Cultura saltou de 40 para mais de 400. Menos de 5% dos recursos do Fundo eram direcionados para o interior, e hoje mais de 40% vai para municípios de todas as regiões da Bahia. Metade desse dinheiro ficava com o próprio governo, e desde o início da gestão, como parte das mudanças implementadas, 100% é direcionado ao apoio a projetos encaminhados pela sociedade.

Na entrevista, genericamente, e numa reflexão sobre todos os acontecimentos da caminhada entre a Lapinha e o Terreiro de Jesus, o Governador classificou os críticos em três grupos: os que discordam das nossas políticas por terem outras convicções, os que têm problemas objetivos com o governo como pagamentos pendentes, por exemplo e os que tinham relações políticas com os governos anteriores. “Estes merecem e terão sempre o tratamento respeitoso que se deve a qualquer adversário”, assegura Jaques Wagner.

 O uso da expressão “viúvas” não se aplica à classe artística e não deve ser entendido dessa forma. Nada mais é do que um jargão da política para referir-se a quem é derrotado e deixa o poder. “Os que reclamam dos pagamentos em atraso têm razões justas para faze-lo até a solução de qualquer pendência. E aqueles que têm divergência de mérito sobre a gestão terão sempre, muito mais que o devido respeito, a oportunidade de, em diálogo franco e respeitoso, expor suas divergências” , assegura o Governador. E enfatiza: “isso vale para qualquer setor”.

Ao expressar mais uma vez o seu profundo respeito pela classe artística e pelo conjunto de trabalhadores do segmento de comunicação e cultura, o Governador Jaques Wagner reitera sua permanente abertura para o diálogo com estes profissionais sobre a política cultural em curso.

Assessoria Geral de Comunicação – Ernesto Marques – Gabinete do Governador – Assessor de imprensa 71.3115-6047 – 71.9984-5160

Levy e Tanure se preparam para nova disputa na Justiça  – Valor Econômico
Raquel Balarin e Talita Moreira, de São Paulo em 03/06/2009

O jornal “Gazeta Mercantil”, que circulou pela última vez na sexta-feira, deverá se transformar, em breve, no alvo de uma acalorada disputa judicial entre o empresário Luiz Fernando Levy, controlador da empresa Gazeta Mercantil S.A., e a holding Companhia Brasileira de Multimídia (CBM), de Nelson Tanure. Os dois grupos vêm trocando farpas e nenhum deles se considera responsável pelo passivo da “Gazeta”. Levy diz que não recebeu o que Tanure prometera e que vai entrar com uma ação de perdas e danos. A CBM declara que pagou mais do que devia e informa que advogados de Levy agiram de má-fé e induziram procuradores do Ministério Público a pedir a penhora de receitas do jornal.

No centro da disputa está o contrato de licenciamento das marcas do grupo Gazeta Mercantil, de dezembro de 2003. A aproximação dos dois grupos começou em outubro de 2001. Levy negociou acordo com o empresário Nelson Tanure para a fusão das áreas comercial e industrial (distribuição inclusive) da “Gazeta” e do “Jornal do Brasil”. O controlador da “Gazeta” se dizia pressionado pela turbulência econômica mundial que se seguiu ao ataque às torres do World Trade Center, pela crise na Argentina e pelo câmbio, que encarecia o papel importado.

Dez dias depois do anúncio do acordo com Tanure, os jornalistas decidiram entrar em greve. Estavam com os salários atrasados. Cinco dias após o início da greve, Levy anunciava a suspensão do acordo com o JB e a contratação da consultoria Worldinvest, de Sérgio Thompson-Flores, para fazer a reestruturação da empresa. No mês seguinte, 543 funcionários eram demitidos e anunciava-se a redução dos jornais regionais.
No fim de 2002, Levy e Tanure passaram a disputas na Justiça. Tanure comprara os créditos do NationsBank e dizia que tinha direito a convertê-los no controle acionário da “Gazeta”. Além disso, cobrava na Justiça notas promissórias do ano anterior. A disputa acabou aproximando os dois empresários mais uma vez, mas eles não fecharam novo acordo porque, no início de 2003, Levy engatou conversas com German Efromovich, dono do grupo Marítima. Logo após um acordo operacional com a Marítima, a “Gazeta” enfrentou nova investida judicial de Tanure, que culminaria no arresto do call center.

Em julho daquele ano, após o fim do contrato de gestão entre a “Gazeta” e a Marítima, Tanure e Levy voltaram a negociações. No mês seguinte, a “Gazeta” fechou um acordo de transferência das áreas administrativa e comercial para a CBM. Em dezembro de 2003, foi finalmente assinado um contrato de licenciamento de todas as marcas do grupo.

Levy diz que o contrato previa dois pagamentos: um de R$ 60 milhões, que seria utilizado para abater dívidas trabalhistas, e outro de R$ 80 milhões, para quitar dívidas com fornecedores. Esses recursos ficariam depositados em uma espécie de conta gráfica e, depois de um determinado período, seria feito um encontro de contas. Além desses valores, Levy garante que havia ainda o pagamento de royalties de 3% sobre o faturamento anual das marcas da Gazeta, algo que ele calcula em torno de R$ 5 milhões ao ano.
“Ele (Tanure) anda dizendo que adiantou R$ 100 milhões. Se for isso, ainda faltam outros R$ 40 milhões, corrigidos. Não recebi nada, entreguei as marcas e no dia seguinte o Tanure já saiu faturando com o jornal”, afirma Levy. Diante da insistência da reportagem, Levy admite que recebeu adiantamentos dos royalties, já que o contrato era de 60 anos, mas diz que esses valores entrariam depois no acerto da conta gráfica. Ele também chegou a receber R$ 25 mil mensais pelo cargo de presidente do conselho editorial, embora o conselho não tenha sido criado. “Depois de um tempo, sem maiores explicações, cortaram isso.”

Djair de Souza, diretor jurídico da CBM, diz que Levy decidiu se afastar e que os R$ 25 mil se referiam a honorários para desempenho de funções editoriais. Segundo Souza, o contrato previa apenas o pagamento de royalties e os desembolsos superaram as estimativas. No caso das dívidas trabalhistas, em cinco anos teriam sido adiantados R$ 150 milhões, ou R$ 90 milhões acima do previsto. Para fornecedores, o valor também teria sido “bastante superior” aos R$ 80 milhões. Ele diz que os números foram auditados pela BDO Trevisan.

Não é só na questão de pagamentos que os dois grupos divergem. Levy diz que o passivo da “Gazeta” é de Tanure e que o empresário sabia que iria ser considerado pela Justiça como sucessor da empresa, com a obrigação de pagamento das dívidas trabalhistas. “O que ele não esperava era que a Justiça também daria sucessão para as dívidas fiscais, como o bloqueio de receita de publicidade legal para pagamento do Fisco. Na área fiscal está 90% do passivo que eu tinha”, afirma Levy.
Para a CBM, o responsável pelas dívidas é Levy. Souza diz que o contrato de licenciamento não transferiu as obrigações das empresas da “Gazeta” e que o direito ao uso da marca só foi cedido à CBM temporariamente. “A licenciada não pode ser considerada sucessora (…). Nesse sentido já se manifestaram juristas da qualidade de Ives Gandra da Silva Martins e Sacha Calmon Navarro Coelho”, rebate a CBM.

Os advogados de Tanure têm repetido que o estopim para a rescisão do contrato de licenciamento da marca, na semana passada, teria sido a percepção de que Levy estaria colaborando para que a CBM fosse considerada sucessora das dívidas. Com isso, ele conseguiria liberar seus bens pessoais que estão penhorados. Além do bloqueio de receitas das empresas de Tanure que exploravam as marcas da “Gazeta”, a Justiça do Trabalho em São Paulo decidiu no mês passado bloquear R$ 200 milhões do capital da Intelig, operadora que o empresário está vendendo para a TIM. A decisão foi encaminhada em carta precatória ao Rio para que Tanure fosse notificado, mas o juiz que a recebeu decidiu devolvê-la e saiu de férias. A juíza responsável pelo caso já enviou nova carta ao Rio, mas, até agora, Tanure não foi notificado oficialmente da decisão.

história condensada

História Condensada - Valor Econômico

Mídia: Como a “Gazeta Mercantil”, que fechou nesta semana, foi um jornal de grande prestígio e decaiu
Um projeto derrotado pela má-gestão – Valor Econômico

Raquel Balarin e Talita Moreira, de São Paulo em 03/06/2009

A poltrona de Luiz Fernando Levy fica de frente para a ampla janela do 26º andar do World Trade Center, na zona sul de São Paulo. O porta-canetas é do InvestNews, o serviço de informações eletrônicas da “Gazeta Mercantil” que, junto com o jornal, deixou de ser veiculado nesta semana, com a decisão da Companhia Brasileira de Multimídia (CBM) de rescindir o contrato de licenciamento das marcas do grupo GZM. Além do porta-canetas, quase nada no escritório remete ao jornal de 89 anos do qual Levy é proprietário e que deixou de ser publicado na segunda-feira. Só um observador atento perceberia que alguns computadores ainda carregam a placa com o nome da “Gazeta Mercantil”, jornal que nasceu nos anos 20 como um boletim de falências, concordatas e preços de produtos agrícolas e que chegou a ser o maior diário de economia e negócios do país.

A “Gazeta” era pouco mais que um boletim no início da década de 70 quando Luiz Fernando, filho do deputado federal de origem udenista Herbert Levy, então sócio-presidente do conselho de administração do Banco Itaú América, decidiu com o pai desfazer-se de uma gráfica na rua do Gasômetro e investir na reformulação do jornal para torná-lo um diário sério, independente e influente. Já se começava a discutir no país a reformulação da Lei das Sociedades Anônimas e a expectativa era de uma fase de desenvolvimento das empresas nacionais.
Para a empreitada, os Levy decidiram investir em bons jornalistas. O jornalismo de negócios no Brasil era incipiente, mas as primeiras experiências começavam em revistas. O primeiro a ser contratado foi Hideo Onaga, da “Visão”, que permaneceu à frente da “Gazeta” por nove meses. Em seguida viria Roberto Müller Filho, considerado o grande responsável por reunir um grupo de profissionais que, na “Gazeta”, transformaria o jornalismo econômico brasileiro.

Müller chegara ao jornalismo pelas mãos de Claudio Abramo, como redator da editoria de internacional da “Folha de S. Paulo”, depois de ter sido preso e passado pelos porões do Raul Soares, navio ancorado em Santos, palco de atrocidades do governo militar. Funcionário da Cosipa, Müller, do Partido Comunista, fora responsável pela paralisação da aciaria, em 1964. O jornalista Matias Molina, então redator da internacional da “Folha”, acolheu-o. Discretamente reescrevia os textos que Müller, afetado pelas torturas aplicadas pelos militares, lhe entregava. Foi o início de um relacionamento profissional e pessoal que sobreviveu a todas as crises que mais tarde atravessariam juntos na GZM.

O inspirador do novo jornalismo de negócios – base do projeto da “Gazeta” – foi Harvey Poppel, economista formado em Harvard que vinha de bem-sucedida experiência no México com a revista “Expansión”. No Brasil, a Expansão foi lançada em 1971, em parceria com Francisco Crestana. Müller tornou-se editor da publicação e trouxe para seu reduzido grupo de repórteres Sidnei Basile, ex-”Folha”.

Atendendo a convite de Levy para dirigir a “Gazeta”, Müller deixou a “Expansão” em 1974. Sidnei juntou-se a ele, após rápida passagem pela “Exame”. Ambos haviam absorvido a receita de Poppel, ancorada na segmentação da cobertura de negócios. O time de profissionais convidados era de primeira linha, entre eles Aloysio Biondi, Matías Molina, Bernardo Kucinski e um jovem mas promissor jornalista, Celso Pinto. A receita da segmentação foi seguida à risca: cobertura setorizada e ampla publicação de cotações na seção de finanças e mercados. Molina era o guardião da precisão dos números e das informações e, para compensar os atrasos na entrega do jornal, desenvolveu um jornalismo analítico de forma a tornar o diário indispensável. Nascia o primeiro jornal nacional de economia e negócios.

Além do jornalismo, o projeto da “Gazeta” tinha um cunho político. Membros, ex-membros e simpatizantes do Partido Comunista e de outras correntes à esquerda compunham boa parte da redação. Em plena ditadura militar, os jornalistas acreditavam que o jornal poderia contribuir para a formação dos empresários e modernização e conquistá-los para os princípios da democracia e da livre iniciativa. Com isso, marcariam um tento importante contra o regime militar, que tivera o apoio dos empresários, especialmente os paulistas.

Ainda na década de 70, decidiu-se lançar o anuário “Balanço Anual”, como forma de diversificação das receitas. Müller “inventou” uma votação de líderes empresariais para acompanhar o anuário e formou um fórum a partir dos eleitos. Em 1978, o fórum anunciava o “Documento dos Oito”, assinado por nomes como Antônio Ermírio de Moraes, Claudio Bardella e José Mindlin, e que, em sua essência, defendia a democracia e a livre iniciativa, bandeira que, habilmente, Müller levara os empresários a encapar. O documento viria a ter importância vital para o início do processo de distensão política e redemocratização do país.

Levy dava à redação autonomia na condução da área editorial, que ganhava prestígio dia após dia. Mas, na área comercial, não acertava a mão. Os executivos vinham de outras editoras e traziam consigo o modelo comercial baseado em relacionamento com agências de publicidade, abordagem muito distante da que a “Gazeta” defendia e que estava ancorada no modelo editorial de informação segmentada. Sem compreender o produto, o comercial vendia pouco e defendia cortes na redação, sob a justificativa de que o jornal tinha mercado e receita pequenos, portanto, não comportava investimentos em qualidade.

Os embates entre comercial e editorial eram constantes até que, em 1983, Levy entregou a área comercial a Basile, que havia chefiado a sucursal de Brasília de 1975 a 1980 e acumulara ali experiência em gestão.
A primeira metade dos anos 80 foi uma fase de acelerado crescimento do faturamento da empresa e do prestígio do jornal. A “Gazeta” passaria de um faturamento de US$ 13 milhões em 1983 para cerca de US$ 100 milhões em 1987, com uma tiragem de 40 mil exemplares. A década, entretanto, marcou também o início das operações malsucedidas. Em 1982, Levy fez a primeira operação de capitalização da empresa, de US$ 6 milhões, com emissão de debêntures do jornal e de ações de uma gráfica, que não seria construída. Os papéis foram comprados por empresas e bancos como Itaú, Bradesco, Safra, Econômico, Votorantim e Paranapanema.Os empresários acreditavam que os recursos seriam para a construção da gráfica, mas eles foram aplicados em outras operações, como a aquisição da revista “IstoÉ”, até então nas mãos de Fernando Moreira Salles.

Para Levy, a estratégia era clara: a diversificação dos negócios com a criação de uma editora de revistas e a redução da dependência do título “Gazeta Mercantil”. A compra da “IstoÉ” é apontada por muitos como um grande erro, que teve como pano de fundo uma disputa entre Levy e Müller. Um era o dono de um jornal de prestígio, mas o poder estava nas mãos do outro, que transformara a “Gazeta” e tinha forte ascendência sobre sua equipe.

ara tocar a “IstoÉ”, Levy convidou o jornalista Milton Coelho da Graça e proibiu Müller de entrar entrar no prédio da revista. Levy nega qualquer tipo de tensão entre ele e Müller e diz que seu relacionamento com o jornalista sempre foi muito forte. “Pode perguntar a ele”, diz. Informado sobre a recusa de Müller de dar seu depoimento, provavelmente por estar abalado com a paralisação da circulação da Gazeta, Luiz Fernando se emociona – a única vez que demonstraria esse sentimento em quase duas horas de entrevista ao Valor.

Com a compra da “IstoÉ”, Müller optou por licenciar-se do jornal para se tornar chefe de gabinete de Dilson Funaro, o ministro da Fazenda que iria liderar o Plano Cruzado. Basile e Molina continuaram a tocar o dia-a-dia do jornal, que vivia uma fase de crescimento vertiginoso.

A edição da “Gazeta” tinha à época uma margem de lucro de 25%. Os resultados melhoravam ainda mais com a edição de relatórios especiais, com foco em setores da economia, lançados na segunda metade dos anos 80 e que chegavam a ter margem de 75%. Com isso, a “Gazeta” se transformara em uma grande fonte de recursos, que acabava por abastecer as outras empresas do grupo, inclusive as agropecuárias. Levy dividiu a empresa em unidades de negócio, que se reportavam a uma holding. As unidades eram o jornal, a distribuidora e a gráfica, que ainda seriam montadas. A unidade jornal faturava, mas o fluxo financeiro seguia todo para a holding, que se ocupava da gestão do caixa.

O cenário levou Levy a buscar uma expansão cada vez maior. Em 1986, foi convencido pelo então diretor regional do Rio Grande do Sul, Hélio Gama Filho (seu amigo até hoje), a criar um jornal local. Embora tivesse sido alertado pelos executivos da matriz de que a iniciativa poderia ser desastrosa – empresas locais poderiam deixar de anunciar na cara edição nacional e migrar para a edição local -, Levy decidiu ir adiante. Esperava arrendar o maquinário de um jornal que havia ido à bancarrota. Não conseguiu e a aventura durou apenas dois anos, até 1988.
Na “IstoÉ”, a aventura durou um pouco mais, de 1984 a 1988, quando Luiz Fernando entregou a revista ao atual controlador, Domingo Alzugaray. A sinergia entre a “IstoÉ” e a “Gazeta” se resumia à área administrativa. As redações eram separadas, a circulação era diferente e as gráficas não eram as mesmas. Perdeu-se muito dinheiro.

Os dois episódios levam Luiz Fernando hoje a uma autocrítica. “Eu era atirado, fazia muitos negócios ao mesmo tempo, sem cronograma. Foi um erro, assumo.” Naquele momento, ele não enxergava assim. Mesmo com as operações malsucedidas, começou, no fim dos anos 80 e início dos 90, a acalentar um projeto ambicioso, de criação de uma rede de jornais em todos os Estados. Para alguns ex-executivos da Gazeta, os jornais regionais foram mais uma tentativa de diluir o poder da equipe da matriz liderada por Müller, que, a essa altura, voltara da experiência de 22 meses à frente da chefia de gabinete de Funaro. Müller retornara, mas mais fraco e, como o restante da equipe de Funaro, arrastando o peso do fracasso do Cruzado.

No início dos anos 90, as diretorias regionais cresceram de forma espantosa e a área editorial e comercial de São Paulo perdeu a ingerência sobre elas. Encabeçadas por jornalistas, as regionais passaram a responder diretamente a Levy, que, em 1993, fez uma convenção no hotel Rio Palace com todos os diretores para decidir pelo lançamento, ou não, de um caderno para cada região, que circularia encartado na “Gazeta”. Müller boicotou a convenção. Basile foi e argumentou que aquele projeto seria o fim de um jornal vencedor, que, àquela altura, detinha o monopólio em informações econômicas. Foi uma defesa premonitória.

Dos 52 diretores e 7 vice-presidentes, 26 chegaram a votar. A votação estava empatada quando foi servido, antecipadamente, o almoço. Em seguida, foi suspensa por Levy. Ele decidiu levar adiante os cadernos regionais e diz que não se arrepende da iniciativa. “Esses cadernos traziam muitos assuntos de interesse do pequeno e médio empresário e atraía publicidade desse segmento. Os anúncios que publicávamos nos regionais não teríamos jamais na edição nacional.” Em 2000, a “Gazeta” chegou a editar 21 jornais regionais. Nas redações nacional e estaduais empregava 700 pessoas, a maioria jornalistas.

Levy também não considera um erro o PCC, sigla que recentemente ganhou as páginas de polícia, mas que, na segunda metade dos anos 80, quando começou a ser empregada pela “Gazeta”, queria dizer “por conta de crédito”. Tratava-se de antecipação de venda de anúncios, com descontos, que, na década de 90, chegaram a 80% do valor de tabela. “Isso era vantajoso. Não precisávamos tomar dinheiro emprestado em bancos”, diz Levy, para emendar em seguida: “Talvez apenas o percentual de utilização desse recurso tenha sido muito elevado.” Para os de fora, o desconto era um ato de desespero, sinal do quanto a empresa precisava de dinheiro e de sua dificuldade em chegar aos bancos.

A gestão financeira da “Gazeta” sempre foi confusa. Além do PCC, espaços publicitários no jornal eram permutados por produtos para outras empresas do grupo. Os atrasos nos salários dos jornalistas, no princípio de um ou dois dias, começaram a ficar cada vez maiores no início dos anos 90. De acordo com a faixa salarial podia chegar a mais de um mês, num período em que a inflação superava 50% ao mês. Para compensar os funcionários, foi criado um adicional de correção monetária sobre os dias em atraso que, por sua vez, quando era depositado, também já estava defasado. Não se faziam os recolhimentos ao Fundo de Garantia, ao INSS e à Receita Federal, embora se descontasse o IR dos funcionários. O jornal chegou a ocupar por mais de dez anos um moderno prédio na zona sul de São Paulo sem pagar aluguel ao dono do edifício, o fundo Sistel. A frase cunhada por Molina resumia bem o quadro: “A Gazeta é um grande jornal à procura de uma empresa”.

Os problemas financeiros persistiram mesmo com três operações de debêntures conversíveis, abertura de capital no fim

1993 (em que fundos de pensão liderados pela Previ injetaram US$ 22 milhões na empresa em troca de 16% do capital, para, poucos anos depois, contabilizar o investimento como perda) e da venda de 50% do InvestNews para a Portugal Telecom por US$ 60 milhões em 2000. O descontrole financeiro é creditado por ex-executivos a erros de gestão, em especial à estratégia equivocada de expansão iniciada em meados dos anos 80 e que se intensificou com a saída de Müller e de Basile, em 1993. Molina permaneceu à frente da redação, como editor-chefe, e Dirceu Brisola assumiu a direção do jornal. Era o início de um processo profundo de mudanças na redação que se completaria pouco mais de três anos depois, com a diáspora dos editores do jornal.

Molina, às vésperas de completar 60 anos, vinha preparando seu substituto, o jornalista Celso Pinto, que, em 1994, voltava de um período como correspondente em Londres. Na matriz, uma de suas primeiras atribuições foi liderar um novo projeto do jornal, que viria a agrupar as mais de vinte editorias em apenas três cadernos. Sob a influência do jornal “Financial Times”, Celso queria revigorar a cobertura de negócios com um jornalismo mais ágil e noticioso. A indicação de Celso como substituto de Molina era vista como um processo de continuidade.

Mas nada saiu como o esperado. Levy preteriu Celso e trouxe de Washington o jornalista Antonio Pimenta Neves, que já tivera uma passagem pela “Gazeta” e que trabalhava no Banco Mundial (anos mais tarde, já como diretor de redação de “O Estado de S. Paulo”, ele viria a assassinar a jornalista Sandra Gomide, a quem conhecera na “Gazeta” e por quem se apaixonara). Com a chegada de Pimenta, Celso decidiu sair do jornal. Era o início do desmonte da redação. Um a um, os editores foram saindo e se espalhando por outras redações.
Depois de Pimenta, a redação foi dirigida por Mário Alberto de Almeida e, nos anos 2000, por uma sucessão de jornalistas – inclusive pelo próprio Müller, por um breve período. Paralelamente, seguiam-se os projetos de expansão: lançamento da “Gazeta Mercantil Latino-Americana”, Gazeta internacional e até a criação de estúdio de TV para um programa que teria a direção artística de Caetano Veloso.

No fim dos anos 90, a situação financeira se deteriorara ainda mais e Levy decidiu procurar um sócio. Em 1997, contratou o NationsBank para realizar uma reestruturação financeira e a venda de uma participação minoritária. O banco fez um empréstimo-ponte de US$ 30 milhões, que pouco depois seria transformado em debêntures que não foram pagas. Em 1999, quando os papéis venceram, o prejuízo da “Gazeta” era de R$ 154,4 milhões, três vezes mais que o do ano anterior. O patrimônio líquido era negativo em R$ 39 milhões.

Nessa época, a “Gazeta” havia sido oferecida a todos os grandes veículos de comunicação do país e a alguns estrangeiros, como o espanhol “Recoletos”. Um executivo de um desses grupos conta que no fim dos anos 90 todos receberam uma brochura com dados contábeis e uma data para entrega de um envelope fechado com propostas. Todos participaram do processo e a Editora Abril, que teria oferecido o maior valor (estima-se US$ 100 milhões), ganhou o direito exclusivo de fazer uma verificação dos números. Levy nega que tenha havido um processo coordenado de venda, mas admite que chegou a negociar com todos os grupos de mídia do país. No caso da Abril, o negócio esbarrou em uma proposta de última hora de aquisição do controle, quando Luiz Fernando queria apenas vender uma participação minoritária. “Tudo sempre esbarrou na questão do controle, do qual eu não queria abrir mão. Negociei com todos”, diz, acrescentando que o acordo com o Recoletos foi o que chegou mais perto de ser concretizado.

Em 1999, os grupos Globo e Folha decidiram se unir para lançar o Valor. Alguns observadores interpretaram o movimento como um sinal do fim próximo da “Gazeta”, àquela altura mergulhada em dívidas impagáveis. Em um primeiro momento, a concorrência com o Valor levou a “Gazeta” a investir em pessoal e na cobertura jornalística. Mas o movimento não se sustentou e, antes que o novo jornal de economia se transformasse em rival de peso no mercado publicitário, a “Gazeta” já enfrentava a crise final, que forçaria os Levy a abrir mão do jornal.
A história da “Gazeta Mercantil” foi reconstituída a partir de depoimentos de ex-executivos e funcionários da empresa e de Levy. Müller , um dos personagens principais, preferiu não se manifestar.

O comando da redação 03/06/2009

Arquivo pessoal
Roberto Müller Filho dirige reunião com os principais jornalistas da “Gazeta”, no fim dos anos 70 (em sentido horário, começando pela esquerda): Celso Pinto, Pedro Lobato, Paulo Totti, Fausto Cupertino, Klaus Kleber, Jaime Mattos de Sá, Claudio Lachini, Tom Camargo, Ronaldo Campos, Sidnei Basile, Antônio Gouveia Júnior, Glauco Carvalho, Frederico Vasconcelos, Valério Fabris e Müller, que eram editores em São Paulo ou diretores de sucursais.

Na época, Matías M. Molina estava em Londres, onde era o correspondente. O encontro ocorreu na sede da “Gazeta Mercantil”, à rua Major Quedinho, no centro velho de São Paulo.

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