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* Liliana Peixinho
Em campo, durante tres meses, no interior da Bahia, pude observar, de perto, a peleja de familias em sobreviver a cada novo dia. Os problemas parecem não ter fim e uma limitação, uma necessidade, leva à outra , que leva outra, numa roda sem rumo para a solução.
O que mais indigina, surpreende e nos faz forte é sentir a dignidade e generosidade de um povo incansável para a luta, a cada novo raiar do sol.
Como pode um povo que não tem quase nada para garantir a vida, a partir da água, que está sempre em falta, com as enormes sisternas vazias e sujas, ter no coração o desejo de repartir o feijão, a abóbora, o ovo da galinha, o milho…?
O velho e incansável seu Arnou e sua companheira, dona Lidia, são exemplos de uma resistencia nordestina historicamente no foco das ciencias sociais, psicológicas, antrolopológicas, etnoreligiosas, literárias e de pesquisdores sensiveis e curiosos para um jeito singular e único de viver desse povo, frente aos desafios de cada dia.

a familia toda se reune na porta da casa para bater o feijão e ensacar para comer durante o ano todo, quando dá.
O que assusta é de onde vem a coragem desse povo que muito mal se alimenta, quase não dorme, vive em desconforto, conta com pouco , quase nada, para se alegrar, mas são ricos em criatividade, generosidade, coragem e determinação de dá inveja a estudiosos financiados por grandes capitais.
A seriedade e compromisso desse povo deveria ser exemplo para as grandes mudanças que o mundo estar a clamar, há muito tempo, diante de injustiças que se proliferam em cada esquina.
- Mais um sol na resistencia nordestina
- Mas a vida é vivida com bravura e leveza
- pode faltar luz, agua, comida boa, mas amor tem de sobra
- As mulheres andam muito para chegar até os tanques naturais de água de chuva
- Familia de seu Arnou, Sertão Baiano
- a familia toda se reune na porta da casa para bater o feijão e ensacar para comer durante o ano todo, quando dá.
Seu Arnoud, dona Lidia, Ester, Marcio, Vanuza e um sem número de filhos, netos, bisnetos, sobrinhos, irmãos, noras, genros, agregados e visitantes dessa grande familia, são pessoas que deveriam estar no centro da atenção do governo Lula. Existe sim um sisterna do lado da casa, mas está quase sempre vazia e suja. A água nunca está por perto e a sisterna acaba sendo mais um dos diversos recursos desperdiçados diante da ineficiencia do produto.
A agricultura familiar é feita sem nenhum estímulo do governo. Produtos organicos locais como maxixe, abóbora, melancia, umbu, pinha, tomate, feijão, andu, milho, aipim, caju e outros são vendidos em feiras livres por uma merreca, que nem mesmo dá para comprar itens inexistentes na comunidade e que são imprescindíveis para o dia a dia como o sal, a pilha do rádio, o gás de cozinha, o caderno, ou a sandália para o filho andar muito até à escola.
A energia solar de outra comunidade próxima a Andorinha não funciona e “O Luz para Todos” só chega nas casas que tem relação direta com os políticos.
” Minha fia estamos aqui há quase de dois anos ouvindo eles dizerem que a luz vai chegar e nada. Nós nem “pode” assistir a novela porque o jornal é mais importante e a bateria acaba loguinho. É uma vida danada de sofrida”, desabafa dona Maria Antonia. mulher de coragem para tratar um boi inteirinho, distribuir para toda a família e fazer o aproveitamento total, da pele ao chifre, com desperdicio zero, vinda da necessidade de aproveitar tudo.
Sem água, a mudança de hábito, comer menos carne e mais legumes e frutas, é um desafio diário porque sem geladeira e um sol de torrar os miolos, só mesmo muito sal para conservar o mínimo que se pode garantir nos fundos de pasto, nos quintais de solos áridos e ventos secos.
Liliana Peixinho “ - DRT 1.430 – Jornalista, ativista sócioambiental, Fundadora do Movimento Independente AMA – Amigos do Meio Ambiente www.amigodomeioambiente.com.br Em campo, pesquisando, coletando informações para a continuação de artigos do e-book “ Por um Brasil Limpo”, e produzindo série de matérias e fotos especiais sobre Comunidades Tradicionais ( Fundos de Pasto, Indígenas, Ribeirinhos, Quilombolas, Pescadores…) liliana@amigodomeioambiente.com.br
Li hoje (7) no Correio uma matéria sobre Raudnei e um dos dias mais felizes que tive na vida até o momento.
Futebol não é Ciência Exata e por isso ele tem graça. É paixão, emoção, garra, vida. Raudnei saiu do banco e fez o gol do bicampeonato para o glorioso E.C.Bahia.
Vamos aos fatos. Bahia x Vitória, para variar, disputavam a final do Campeonato Baiano na Fonte Nova. A data: 7 de agosto de 1994. O Bahia jogava pelo empate. O Vitória ganhava de 1×0. Raudnei sai do banco de reserva e entra no jogo no segundo tempo. Eu sentia uma vontade enorme de chorar porque paixão de torcedor é inexplicável. A torcida do Vitória comemorava.
“O Bahia não pode perder este título. O Bahia não pode…”, pensava este otário chamado Big Charles of Bahia.
Aos 45 minutos do segundo tempo a torcida do Vitória explode comemorando e pedindo o final do jogo. Jean passa a bola para Missinho que pica a zorra para frente. Acontece um PQP meu louro perto da área de lá eles. A bola vai pra tudo que é cacete de lado. Bate na cabeça de Souza e sobra limpa para Raudnei, um jogador limitado, porém, iluminado naquele dia. Aos 46 minutos do segundo tempo ele ruma a zorra. Roger, o corno, desculpem, o goleiro do Vitória, não pega e a festa muda de lado.
Eu chorei tanto que pensei que teria um piripaque e sairia dali direto para o Campo Santo. Meu Deus! Foi lindo e ainda é. Estou arrepiado e com lágrimas nos olhos agora…
15 anos de um dia inesquecível! Este Bahia um dia voltará!
*É PRECISO AFIAR O MACHADO*
O homem apresentou-se na fazenda pedindo trabalho.
Como havia vaga, acertou se a paga, e o novo empregado iniciou o trabalhono dia seguinte.
Recebeu um machado bem afiado e a ordem de iniciar derrubada.
Como é de costume, neste caso, o operário faria período de experiência.
Passados alguns dias, o patrão foi examinar otrabalho do seu novo empregado. Este, no primeiro dia, derrubara 200 árvores, no segundo dia abatera 150, no terceiro dia foi ainda pior, baixando para 130. Intrigado, o patrão quis saber porque o empregado vinha trabalhando menos.
Por acaso chegava ele mais tarde? Não, ele estava chegando mais cedo. Então estaria demorando mais entre um golpe e outro do machado? Não. Ele estava batendo mais ligeiro.
Tudo parecia um mistério quando o patrão olhou o machado, bastante judiado. Perguntou ao empregado quantas vezes afiara o machado. Estive tão ocupado derrubando árvores que não tive tempo de afiar o machado, respondeu, candidamente, o lenhador.
Parece que na vida, por vezes imitamos o cortador de árvores.
Levamos muito a sério nossas atividades, nos preocupamos tanto que acabamos produzindo muito pouco. Esquecemos de afiar o machado, e isto acontece em todas as profissões.
Todos nós de tempos em tempos, precisamos parar, rever nosso trabalho, nossos métodos, sacudir o pó da rotina, recomeçar com alma nova.
Em outras palavras, precisamos, de vez em quando, afiar o machado.
Caso contrário estaremos produzindo cada vez menos, com um trabalho cada vez mais extenuante.
É conveniente dar uma olhada em nossa vida, um olhar diferente e analisar com serenidade atividades, metas, e os resultados que obtemos.
Não caiamos no erro do lenhador, tão ocupado que não tinha tempo para afiar o machado .
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momentos de aflição e prova
Momentos de aflição e prova surgem pelo caminho, inesperados, concitando à disciplina espiritual indispensável ao processo evolutivo do ser.
Águas serenas que são açoitadas por fortes vendavais; paisagens tranqüilas que se modificam ao império de tempestades violentas; climas de paz que se convertem em campos de lutas rudes; viagem segura, que se torna perigosa, objetivos próximos de conquistados, que se perdem de repente; saúde que cede à enfermidade; amigos dedicados, que vão adiante; adversários vigorosos, que surgem ameaçadores; problemas econômicos, que aparecem, constringentes, tantos são os motivos de aflição e prova, que ninguém avança, na Terra, sem os experimentar.
Enquanto domiciliado no corpo, espírito algum se encontra em segurança, vitorioso, isento de experiências difíceis, de possíveis insucessos.
Os momentos de prova e aflição constituem recursos de aferição dos valores morais de cada um, mediante os quais o homem deve adquirir mais valiosas expressões iluminativas como suportes para futuros investimentos evolutivo.
Por isso, todos somos atingidos por tais métodos de purificação.
Vigia-te, no momento de aflição e prova, a fim de que não compliques, por precipitação, o teu estado íntimo.
Suporta o vendaval do testemunho com serenidade; recebe a adaga da acusação indébita com humildade; aceita o ácido da reprimenda injusta com nobreza; medita diante do sofrimento com elevação de sentimentos.
Todos os momentos difíceis cedem lugar a outros: os de paz e compreensão.
Não te desalentes, exatamente quando deves fortalecer-te para a luta.
São instantes difíceis, em que as resistências morais devem estar temperadas, suportando as constrições que ameaçam derruir as fortalezas íntimas.
Quando estiveres a ponto de desfalecer, procura refúgio na oração.
Orando, renovar-se-ão tuas paisagens mentais e morais, elevando-te o ânimo e reconfortando-te espiritualmente.
Jesus, que não tinha qualquer dívida a resgatar e que é o Sublime Construtor da Terra, enquanto conosco não esteve isento dos momentos de aflição, demonstrando, amoroso, como vencê-los todos, e, ao mesmo tempo, ensinando a técnica de como retirar do aparente mal as proveitosas lições da felicidade.
Considera-Lhe os testemunhos, e, em qualquer momento em que sejas defrontado pela aflição ou prova, enfrenta a circunstância e extrai do amor a parte melhor da tua tarefa de santificação. txt extraído de Oferenda, psicografado por Divaldo P. Franco, pelo espírito Joanna de Ângelis – Paz e Luz
o sucesso consiste em não fazer inimigos
-Max Gehringer
Nas relações humanas, no trabalho, existem apenas 3 regras básicas.
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Regra número 1. Colegas passam, inimigos são para sempre.
A chance de uma pessoa se lembrar de um favor que você fez a ela vai diminuindo à taxa de 20% ao ano. Cinco anos depois, o favor será esquecido. Não adianta mais cobrar. Mas a chance de alguém se lembrar de uma desfeita se mantém estável, não importa quanto tempo passe. Exemplo: se você estendeu a mão para cumprimentar alguém em 1997 e a pessoa ignorou sua mão estendida, você ainda se lembra disso em 2007.
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Regra número 2. A importância de um favor diminui com o tempo, enquanto a importância de uma desfeita aumenta.
Favor é como um investimento de curto prazo. Desfeita é como um empréstimo de longo prazo. Um dia, ele será cobrado, e com juros.
Regra número 3. Um colega não é um amigo.
Colega é aquela pessoa que, durante algum tempo, parece um amigo. Muitas vezes, até parece o melhor amigo. Mas isso só dura até um dos dois mudar de emprego. Amigo é aquela pessoa que liga ou envia um e-mail para perguntar se você está precisando de alguma coisa. Ex-colega que parecia amigo é aquela pessoa que você liga para pedir alguma coisa, e ela manda dizer que, no momento, não pode atender.
Durante a carreira, a pessoa normal terá a impressão de que fez um milhão de amigos e apenas meia dúzia de inimigos. Estatísticamente, isso parece ótimo. Mas, não é.
A “Lei da Perversidade Profissional” diz , q no futuro, quando você precisar de ajuda, é provável que quem mais lhe poderá ajudar será exatamente um daqueles poucos inimigos.
Portanto, profissionalmente falando, e pensando em longo prazo, sucesso consiste, principalmente, em evitar fazer inimigos. Porque, por uma infeliz coincidência biológica, os poucos inimigos são exatamente aqueles que têm boa memória !!!
Max Gehringer – Colaboração enviada pelo colega José Bomfim(ou será amigo???)
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Por Liliana Peixinho*

Uma nova ordem mundial está colocada para cada cidadão, Planeta Terra adentro e afora. O desafio é a garantia da vida em harmonia, com qualidade, prazer, alegria, desejo de querer fazer, não porque alguém nos manda, ordena, impõe. Mas porque sabemos ser necessário, importante, no papel social de cada um, em casa, no trabalho, na escola, no lazer. Nesse contexto, como pessoas, cidadãos, empresas, ONGs, Movimentos, enfim, cada um de nós, se insere, se percebe, se afirma, para tentar garantir a preservação da Vida em harmonia nesse planetinha em eterna transformação?
As novas possibilidades economicas abrem espaço para a construção de paradigmas como o da cidadania sustentável. Essa oportunidade está diretamente linkada com a mudança de comportamento para novas atitudes sobre Consumo Consciente, Comércio Justo, Produto Limpo, Desperdício Zero, Cultura dos RRRR – Racionalizar, Reutilizar, Reduzir, Reaproveitar, Recriar, Reinventar, Reciclar, através da participação social proativa, voltada para uma nova Economia Circular, dinâmica, dialética, no ritmo do universo, rápido e harmônico.
Numa crise de desemprego, como a que estamos a enfrentar agora, é importante o acesso a informações claras, contextualizadas com a realidade de uma crise estrutural, com o olhar integrado, multifacetado, e atento à necessidade de construção de cadeias produtivas sustentáveis, ponta a ponta. Planejamento, aplicação de políticas de desenvolvimento humano, com eqüidade, compromisso, justiça social e equilíbrio ambiental, são fases importantes para qualquer ação do presente, para garantia do futuro.
O comércio, a propaganda, as formas de produção, continuam sendo oferecidas para atender demandas de consumo incentivadas por uma publicidade ainda desatenta às adaptações de um novo ambiente, que indica limites no uso dos recursos naturais. A sustentabilidade a ainda é um discurso bem distante da prática. Precisamos reconstruir estratégias, com flexibilidade, resgate de valores perdidos, acesso a oportunidades para a redução das desigualdades, defesa da justiça social, garantia de moradia digna, saúde integral , educação continuada, liberdade de expressão e qualidade da informação. Temas que continuam na pauta diária.
Aliar Responsabilidade Social ao Desenvolvimento Sustentável não se alcança fazendo propaganda enganosa. Dizendo, divulgando que faz, sem realmente colocar em prática. Observamos que o Marketing Empresarial, institucional, difunde ao mundo, em sites, blogs, peças publicitárias e ferramentas as mais variadas e acessíveis no mercado publicitário, informações, no mínimo, duvidosas, para não dizer criminosas.
Recebemos recados claros da natureza como um alerta para a adoção de novas atitudes e desafios no fazer, pensar e agir. Crises econômica, política e social são sinais da necessidade de mudanças do que não deu certo, como o consumo voraz, o desperdício e o egoísmo; para novas atitudes, de consumo consciente, com desenvolvimento limpo, e crescimento só do que é bom e importante para a vida. Crescimento de estresse, violência, corrupção, engarrafamento, fome, sede, miséria e outros indicadores sobre a qualidade da Vida, não compensam as estratégias polticas governamentais para visibilidade mundial à qualquer custo.
Seria bom pararmos de fazer de conta que fazemos, para fazermos direito, com vontade que venha da alma, coração e cérebro, em harmonia com os sentidos da Vida, bem vivida.
* Liliana Peixinho Jornalista, DTR 1.430- ativista socioambiental, Voluntária Rebia – fundadora dos Movimentos AMA e RAMA- Rede de Articulação, Mobilização, Comunicação Ambiental www.amigodomeioambiente.com.br
(Envolverde/O autor)
Hoje, dia 16, não comemoramos apenas o aniversário de Mery Bahia, querida companheira com uma carreira no jornalismo de mais de 23 anos. Hoje é um marco da nova vida conquistada por esta lutadora que tenho o orgulho de compartilhar sua amizade.
Assim se define Mery Bahia: “Sou uma pessoa fácil de conviver, geralmente bem-humorada (vai ser difícil encontrar uma foto minha, em que eu não esteja sorrindo), amo literatura, jornalismo, cinema e webdesign, e as artes em geral, adoro trabalhar, mas não dispenso uma boa diversão, amo meus filhos, minha família e meus amigos. Desde a adolescência sou militante de causas sociais. Adoro dançar!”
Com 15 anos de idade, militante do Partido Operário Comunista (POC), “Marta” (esse era seu codinome), já estava na luta pela democracia e pela liberdade. Uma vida dedicada ao bom combate deve ser preservada e bem vivida.
Parabéns e muitas felicidades querida companheira e amiga! Vida longa para você!
Volto ao assunto guerra urbana por conta da manchete do jornal A Tarde de hoje. Quatrocentos e vinte e cinco assassinatos em Salvador e RMS em 85 dias de feliz ano novo.
Por conta também deste texto visceral de Josias Pires, Filmefobia, fobia social e crimes de bagatelas, publicado ontem no blog Mídia Baiana, sobre muito mais do que o assaltado sofrido por ele próximo ao Mosteiro de São Bento, depois de um debate em nome do aniversariante do mês, Glauber Rocha. Próximo à Praça Castro Alves, outro aniversariante destas águas turvas de março, repletas de poesia, cinema e violência.
Volto ao assunto por conta de um assalto na Piedade, sofrido por outro amigo, Marcelo de Trói, por conta de mais outro assalto na Carlos Gomes, desta vez na pele de Wladimir Casé, há cerca de duas semanas, por conta de um a cena testemunhada por mim, de um casal jogado ao chão, revirado e roubado depois de assistir a um espetáculo de Thecov, na Caixa Cultural, há cerca de dois ou três meses. Enfim, gastaria telas e telas nestes relatos cotidianos do nosso Centro Antigo, da nossa periferia recente e depauperada.
425 baixas em 85 dias não é pra qualquer guerrinha não. Um assalto a cada esquina também é um forte sinal de que as águas andam turvas, mesmo. Fique, portanto, com o testemunho de Josias, uma reflexão sobre a violência, nesta guerra nossa de cada dia.
Recuperei meu carro em Amélia Rodrigues, a 20 quilômetros de Feira de Santana. Ele havia sido furtado na Pituba, a 50 metros de uma instalação militar, que ignora a nossa guerra cotidiana e se prepara com afinco, muito desfile e toque de corneta, para a 2ª Grande Guerra com o Paraguai, o segundo levante de Canudos ou uma provável nova Insurreição dos Alfaiates. Mas sobre isso já falei aqui.
Outros dois carros já foram tomados de assalto no último ano apenas na frente do meu prédio. O que leva um cara a matar ou morrer, a arriscar-se para furtar um veículo ou colocar a arma na cabeça de alguém? R$ 1.000. No máximo, R$1.500. Este é o motivo, segundo um policial experiente, que conhece a realidade de Feira de Santana. Retalhado e vendido a granel, o carro dá um lucro bem maior ao atravessador, cerca de R$ 10 mil. E mais ainda a quem compra as peças por ¼ do preço.
Como não há tráfico sem usuário, também não haveria ferros novos se a procura não fosse grande. Numa roda de taxistas, na frente da Rodoviária de Feira de Santana, um deles informa que um colega comprou todas as peças necessárias para remontar um Uno seminovo pela módica quantia de R$ 3.500. Com mais R$ 3.000 de mão-de-obra, remontou um novo veículo com tal perfeição, que nem um revendedor experiente desconfiaria estar diante de uma perda total.
Chegam carretas e carretas fechadas com carros para desmonte, diz o taxista. Não vi as carretas, mas basta circular pela Rua da Aurora, e adjacências, em Feira, para o cristão se deparar com uma oferta inacreditável de peças seminovas.
E a polícia, não vê? Vê, claro, diz o taxista, sem conter uma quase garagalhada. – Os delegados que se meteram a desmontar isso aqui foram transferidos rapidinho, rapidinho…
Enquanto dava queixa na delegacia aqui em Salvador observava os muitos cartazes de procura-se. Num deles havia a foto de um fora-da-lei, de 25 anos, com uma cruz feita com caneta na testa. Estava escrito em letras trêmulas: “Este já foi pro colo do capeta”. O epitáfio provavelmente fora escrito por um funcionário público que, mesmo com um magro salário, exerceu com apenas um tiro na testa a função de policial, promotor, juiz e carrasco.
Enquanto isso, continuamos nós – cidadãos não-ladrões e cidadãos ladrões – a mercê de uma arma na cabeça, de uma bala na cabeça, para ir pros braços da Virgem Maria ou sentar no colo do capeta por conta de míseros R$ 1.000.




















Carta dos leitores