You are currently browsing the category archive for the 'Entrevistas' category.

o homem e suas idéias

*Por Suzana Tavares

Com a internet tomando conta cresce o número de comunidades virtuais voltada para população negra

O pesquisador/ antropólogo concedeu entrevista exclusiva a reportagem do Blog Identidade Negra da jornalista Suzana Tavares.

Apresentado o moderador da comunidade virtual Política Negra em um papo online.

Waldemir Rosa é pesquisador/ antropólogo está fazendo Mestrando em Antropologia Social pela Universidade Federal de Brasília. Tem como tema de estudo a construção da masculinidade no Movimento Hip Hop.

Sempre estudou em escola de ensino público. Começou na militância negra aos 15 anos na Organização Negra Comunidade Visual Ilê (na época não possuía esse nome) que é um projeto de trabalho com crianças carentes na Vila Morais e redondezas que é onde nasceu e cresceu em Goiânia.

Na Universidade foi bolsista do Projeto Passagem do Meio, onde houve uma qualificação de alunos(as) negros(as) para pesquisa acadêmica na Universidade federal de Goiás (UFG), onde ocupou a função de assistente de pesquisa. Um dos propósitos do projeto, na linha de fortalecimento da militância negra no interior da comunidade acadêmica era a formulação de um grupo de alunos negros que se apoiassem mutuamente na jornada acadêmica.

Desse grupo surgiu o Coletivo de Alun@s Negr@s Beatriz do Nascimento (CANBEN@S), que é o coletivo de alunos e alunas negras da Universidade Federal de Goiás. Após o ingresso na Pós-graduação na Universidade Federal de Brasília, participou do Coletivo Negro da UnB EnegreSer e participou do primeiro momento da Associação Nacional de Estudantes Negros (ANEN), como representante do EnegreSer.
Identidade Negra – Qual o objetivo de criar uma comunidade virtual voltada para o público negro?

Waldemir Rosa – A minha intenção em criar a Comunidade Política Negra era a de criar um fórum de debates sobre temas relacionados à questão racial e o sexismo. Meus interesses nesses temas são oriundos do tema de pesquisa da minha pós-graduação em Antropologia Social da UnB que é a construção da masculinidade no movimento hip hop.

IN – Como surgiu a idéia?

WR – A idéia de criar a comunidade surgiu a partir da participação de outras comunidades de temas relacionadas existente no Orkut. Existe uma infinidade de comunidade que se propõem a discutir a relação entre sexismo e racismo. A proposta da comunidade virtual Política Negra não é inovadora nesse aspecto. Acho que ela seria mais um fórum de debate na internet para compor a plurivocalidade da rede virtual e colocando pessoas de diferentes localidades em contato. Na verdade, a comunidade surgiu inicialmente para ser um fórum de encontro para as pessoas que visassem participar da Marcha Zumbi + 10 a se realizar em Brasília em novembro deste ano.

A mudança e enfoque deu-se pelo fato dessa troca já estar sendo feita em outras comunidades do Orkut e lista de discussão de e-mails e com essa proposta inicial ficava restrito a temática de discussão da comunidade. Essa mudança na comunidade Política Negra estava prevista para ocorrer no início de dezembro, o que fiz foi antecipar essa proposta.

IN – Como moderador o que espera dos internautas?

WR – Acho que uma das principais coisas que espero dos participantes é a troca de informações relativos às temáticas

IN – A criação desses espaços serve para levantar a auto-estima dos negros?

WR – Acho que sim. Compreendendo que o processo de autopositivaçã o dos negros e negras no Brasil é resultado de um longo e muitas vezes doloroso reconhecimento de seus antecedentes históricos esse espaço, assim como os demais existentes na internet, podem fortalecer a auto-estima dos negros. Mas vale ressaltar que essa não é a intenção primeira da comunidade.

O foco central da comunidade não é promover a autopercepção positiva dos negros, mas sim possibilitar um ponto de intersecção de lutas sociais afrocentradas e a auto-estima dos negros é um dos pontos dessa rede.

IN – A ideologia da comunidade virtual pretende desempenhar algum papel social?

WR – Em ciências sociais dizemos que tudo que existe desempenha um papel social. O papel social da Comunidade Política Negra é a de ser apenas um fórum de debate de pessoas que estejam ligadas, ou não, a trabalhos sociais. A realização de trabalhos sociais não é considerada uma proposta da comunidade. Os movimento sociais que se propõem na arena pública com pautas de reivindicações nacionais encontram-se em um momento de refluxo, essa experiência não é exclusiva do movimento negro.

As experiências de atuação política estão atualmente mais fragmentadas e regionalizadas. O que percebemos hoje na atuação dos grupos negros organizados é a existência de eixos centrais de discussão. A luta pelas ações afirmativas no campo da educação é um desses eixos, assim como a luta das mulheres negras contra o racismo e o sexismo também o movimento da juventude, protagonizado pelo hip hop, seria o terceiro grande eixo.

A ideologia da comunidade é possibilitar que pessoas que atuem nesses eixos centrais, que na verdade são focos de convergência discursiva do movimento negro, possam trocar experiências o que possibilita a constituição de projetos de atuação política em conjunto e mais amplas possíveis.

IN – Qual é o principal assunto abordado?

WR – São as relações raciais e de gênero de uma forma geral.

IN – Você acha que assim estaria promovendo o debate de idéias sobre o negro na sociedade e ajudando o negro se afirmar como raça?

WR – Acredito que sim. Um dos principais problemas da realidade brasileira é que ideologia nacional não permite afirmações de pertencimento racial nos espaços centrais de poder da sociedade. A afirmação do negro sempre este ligada às esferas da religiosidade, das artes e do erotismo. Que são aspectos importantes da vida humana, mas não são os centros irradiadores de sentidos e significados hegemônicos na nossa sociedade. Dessa forma estereótipos sexuais e artísticos – cabe fazer a ressalva que o casos dos esportes é baseado em uma suposta superioridade física do negros e que tal formulação possui a lógica argumentativa da esfera do erotismo – passam a ser os papeis sociais possíveis para os negros .

O que percebemos em uma perspectiva comparativa entre Brasil, Estados Unidos e África do Sul é o seguinte; nos Estados Unidos os negros e negras atingiram uma certa acessibilidade à esfera econômica, mesmo que as distancias econômicas entre negros e brancos não foram eliminadas elas diminuíram nos últimos 50 anos. Mas na realidade norte-americana o poder político não foi democratizado. O que ocorreu na África do Sul foi o sistema inverso. Com o fim do Apartheid os negros e negras tiveram acesso ao poder político, mas as condições econômicas do país dependem da associação com os grupos brancos segregacionistas que acumulam quase toda a riqueza do país. No Brasil, por sua vez os negros não tem nem o poder político e nem o econômico o que faz do Brasil um regime racial mais cruel e perverso que o dos Estados Unidos e da África do Sul, pois congrega os efeitos mais maléficos de ambos.

Na realidade brasileira, devido à ideologia da democracia racial o negro não consegue ver o ponto exato que tem que combater. Vale ressaltar que como toda ideologia a democracia racial oculta as contradições da vida real e cria um todo coerente que passa a ocupar o local desse real. O que cabe ao processo de afirmação do negro na sociedade brasileira é criar uma outra ideologia quem que as contradições raciais não sejam negadas e sim inseridas em uma perspectiva de transformação/ formação do mundo atual.

IN – O que tem a dizer sobre a exclusão digital?

WR – A exclusão digital é um dos grandes problemas de propostas de atuação militante virtual. É sabido que o mundo virtual engloba em termos continentais apenas a Europa, nos outros continentes a participação nesse mundo virtual é apenas de países, ou cidades, ou regiões de cidades. A baixa participação de países africanos, latino americanos e árabes no mundo virtual é um indício da exclusão digital que não pode apenas ser pensada em termos de acesso financeiro a computadores, mas também no acesso aos idiomas oficiais da internet. Línguas nativas, regionais, nacionais não hegemônicas não possuem expressividade nesse âmbito. E isso dificulta o acesso ao mundo virtual.

IN – Você acha que sentir-se parte de algum grupo é fundamental para a motivação pessoal?

WR – Sim acho que a participação de grupos é importante para a motivação do indivíduo e de fortalecimento dos laços identitários. Uma das principais funções dos grupos negros tem sido o fortalecimento da identidade de afro-brasileiro e nesse sentido os grupos sociais organizados são de fundamental importância para a motivação pessoal.

Entrevista concedida em 13 de junho 2005 às 16:27 hs

Waldemir Rosa defendeu sua dissertação em 21 de novembro de 2006 Homem Preto do Gueto: um estudo sobre a masculinidade no rap brasileiro. E continua com sua comunidade virtual Política Negra no site de relacionamento do orkut.

Confira na íntegra a tese defendida por Rosa

http://www.4shared. com/file/ 14316289/ 450144f8/ Dissertao_ Waldemir_ Rosa.html

Já passaram por aqui

  • 271,940 pessoas

Editorias

Fotografias

midnight city still

Untitled

Man should always remember his connection to mother earth.

More Photos

Arquivos

O que foi notícia

Novembro 2009
S T Q Q S S D
« Out    
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
30