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Questão racial:
no Brasil ainda é barril de pólvora
A questão racial no Brasil, com toda a maquiagem que se he possa fazer, até de afirmar que não existe este tipo de discriminação no país, ainda vai causar muitas discussões. Na pior das hipóteses, sérios conflitos podem ser reeditados, haja vista que certas ações provocam a ira e o ódio entre os envolvidos, evidenciando uma animosidade latente.
Episódio preocupante ocorreu no mês de novembro (2007), em que se comemora o Dia da Consciência Negra, exatamente na semana do evento, quando foi anunciado o lançamento de um livro, escrito pelo jornalista Nelson Ramos Barreto, intitulado “A revolução quilombola – guerra racial, confisco agrário e urbano.”
Essa publicação tem o apoio do príncipe-herdeiro, D. Bertrand de Orleans e Bragança e de toda a elite ruralista brasileira, radicalmente contrária a qualquer reivindicação de posse de terra para índios e negros quilombolas.
Desqualificam abertamente as reivindicações e atacam duramente o movimento dos sem-terra. Para eles o MST é uma revolução encapuzada que investe contra o direito de propriedade e que açula uma guerra racial que pode destruir a harmonia social do Brasil.
Com o argumento de reescrever a verdadeira história do Brasil Colônia, no qual, diz, não havia racismo e excluídos, o autor, que assessora a campanha dos remanescentes feudais, tenta convencer a sociedade de que a verdade lhes pertence. Resgata a princesa Isabel, como uma senhora bondosa, e deprecia a figura de Zumbi, chamando-o de escravocrata, dentre outros.
E toma um negro domesticado em seus redutos, como prova cabal da boa convivência que sempre reinou entre negros e brancos, o qual confirma verbalmente que não existe discriminação por parte dos brancos e sim do próprio negro, pois ele teria sido discriminado por uma princesa etíope. Sem comentários.
Os conflitos se aguçam. No dia 20 de novembro de 2007, chega aos e-mails de instituições baianas voltadas para as questões étnicas, informações sobre episódios de confrontos na Livraria Cultura, de Brasília, durante o lançamento do famigerado livro que, por conta disso, passou a despertar interesse e contabilizar um certo sucesso editorial.
O lançamento se daria por todo o mês de novembro, como um contraponto às comemorações étnicas, sempre pontuadas por denúncias de violência e discriminações.
De imediato a notícia do lançamento em Salvador, dia 28, durante um evento no Parque de Exposições, foi repudiada, contando com a iniciativa do CNNC- Conselho Nacional de Negras e Negros Cristãos, que passou a informação para jornalistas da ALAI , através de sua então representante, Selma Barreto.
A ALAI, como rastilho de pólvora, espalhou a notícia, inclusive além das fronteiras nacionais, e a reação veio em bloco. Todas as instituições em defesa dos negros e quilombolas se levantaram e impediram o lançamento do livro, o que levou à suspensão do evento.
Uma matéria paga foi publicada pela organização do príncipe, no dia 28, num jornal de grande circulação, justificando a suspensão e acusando os sem-terra de ameaçar um “BARRACO” (grande tumulto) na badalada festa da elite rural.
Nas justificativas, o Movimento Paz no Campo, liderado pelo príncipe D. Bertrand de Orleans e Bragança, entre outras coisas cita que: “a liberdade de expressão está ameaçada na Bahia”; “Teme-se que esse precedente leve a inibir outras ações, legítimas e pacíficas, de proprietários espoliados pela Revolução Quilombola;
Em resposta, pessoas do movimento negro, Carmela Zigoni, Paula Balduino, Priscila Calaf, Júlia Otero, de Brasília, contra-atacam: .
“Nossos hitleres nacionais estão se infiltrando. .” E o que é pior, distorcendo os fatos históricos e invertendo situações da forma mais deslavada e acintosa. E transformando vítimas em insensatos a si mesmos.
por Evanice Santos
jornalista DRT_BA 685

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