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- exposição em Coimbra, no Cárcere Acadêmico da Universidade

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A Universidade de Coimbra, em Portugal, inaugura nesta quinta-feira (15/05/2008) a exposição “Cavalos e Sol”, do artista plástico baiano Ângelo Roberto, na Biblioteca Joanina Cárcere dos Acadêmicos, edificada a partir de 1717 sobre as ruínas do antigo cárcere medieval do Paço Real, construído no século XIV.

A mostra reúne 20 desenhos em bico-de-pena – técnica na qual o artista se destaca como um mestre – elaborados em 2007 e já expostos em Lisboa, durante o mês de Abril, na Casa da América Latina. No Brasil, a exposição foi realizada no Espaço de Arte Cultura Mix, no Arraial d’Ajuda, em Porto Seguro, Bahia.

Contato: 71.3357.1381


Ângelo Roberto é, essencialmente, um artista da linha e do tracejado, das impressionantes tramas de ‘bico de pena’, tendo produzido centenas de desenhos de grande beleza plástica. Depois de desenhar os mais variados temas, Ângelo Roberto concentra-se no tema dos cavalos, de excepcional qualidade plástica. Com magistral interpretação, Ângelo Roberto utiliza-se do movimento contínuo para a configuração básica da imagem virtual do cavalo, representando sua energia incontida e, mesmo em posicionamento estático, o movimento dirigido cria as tensões visuais necessárias para a estruturação rítmica do conjunto. A dimensão do desenho trona-se espaço-temporal. Nos actuais trabalhos, o artista introduz suavemente a cor como forte contraponto à estrutura gráfica, quando o círculo de cor intensa cria um novo e poderoso fulcro de atração visual, com tendência a monopolizar a atenção do perceptor, não fosse a irresistível riqueza formal dos cavalos. O círculo também cria o espaço cenográfico e de integralização temática, definindo a concepção espacial dos desenhos em termos de dupla composição, pois a visualização plástica imediata realiza-se no bidimensional pela frontalidade das imagens e pelo suporte branco no papel que também pode ser percebido como profundidade espacial expandida para os limites da imaginação, quando interpretado o círculo como o sol.

Ângelo Roberto (Ibicaraí, Bahia-Brasil, 1938) é formado pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia. Desenhador e mestre do bico-de-pena, o seu contributo como artista plástico e personagem da cultura baiana valeu-lhe o título de Cidadão da Cidade de Salvador da Bahia pela Câmara Municipal de Vereadores daquela cidade. Nas palavras de Ângelo Roberto… ‘Estes cavalos ora mostrados são linhas que vêm da minha infância. Por isso, o expressionismo gráfico não esconde a ingenuidade do tratamento das figuras. O sol, presença insistente em nosso dia-a-dia, é elemento de composição fixo, em contraponto ao movimento linear. Cavalguemos, pois, as lembranças de um homem conduzido por máquinas’.

curadoria de Eduardo Zanatta, trechos do texto original pelo Professor da Universidade Federal da Bahia, integrante da Associação Brasileira de Críticos de Arte Juarez Paraíso

apoio Progestur – Associação para Promoção, Gestão e Desenvolvimento do Turismo Cultural Português e co-organização da ARPLAMB – Associação dos Artistas Plásticos Modernos da Bahia.

Agradecimentos especiais à Vice-Reitoria da Universidade de Coimbra e a toda sua equipa.

angelo editora

O CÁRCERE ACADÉMICO

As estruturas actualmente subsistentes do que foi, até 1832, o cárcere académico (quando, por virtude da revolução liberal, se extingue a jurisdição do conservador da Universidade sobre lentes, estudantes e familiares), correspondem a três fases distintas de utilização do mesmo espaço: a primeira ligada às estruturas originais do palácio régio; as restantes no quadro já da ocupação universitária.

Com efeito, o embasamento da Casa da Livraria ou Biblioteca Joanina, edificada a partir de 1717, destinado a vencer a diferença de cotas em relação ao pátio superior, servindo de suporte às salas nobres e de depósito e arrecadação, englobaria os restos, provavelmente já arruinados, do que fora o antigo cárcere medieval do Paço Real, edificado em finais do século XIV no exterior da muralha muçulmana. E, por essa via, chegaria aos nossos dias uma parte dos chamados segredos, uma escada de caracol e uma outra, recta, de parapeito gótico (na origem exterior), documentando hoje a única cadeia medieval subsistente em Portugal.

Quanto ao cárcere académico propriamente dito, a sua existência decorre do foro particular (o foro académico) que protegia as antigas universidades enquanto corporações privilegiadas, preservando lentes, funcionários e (sobretudo) escolares do convívio com criminosos de delito comum, no acto de cumprirem detenções, impostas muitas vezes por razões de índole puramente disciplinar. Reivindicada, por esse facto, pela Universidade junto do Rei, ao menos desde 1541, após a transferência definitiva para Coimbra, a existência da cadeia seria finalmente consagrada nos Estatutos de 1591, instalando-se, em 1593, em dois antigos aposentos existentes sob a Sala dos Capelos (no sector do Paço ocupado pela Escola).

Aí se conservaria até ao século XVIII, a despeito da aquisição do edifício real, por parte da Escola, em 1597 e é só em 1773, no âmbito da reforma pombalina dos estudos e dos trabalhos gerais de dignificação do palácio escolar, que a cadeia se transfere para as subestruturas da Biblioteca, em dependências (parcialmente) nascidas com essa mesma função. À transferência correspondem obras de adaptação, levadas a cabo em 1782, por forma a acrescentar aos restos subsistentes do cárcere medieval (fundamentalmente os segredos e o pequeno corredor adjacente), um reduzido número de celas comuns, sala de visitas, oratório, etc., e a melhorar, mesmo que minimamente, a sua comodidade (com a construção de latrinas), bem como a respectiva segurança, operação que obrigaria o cárcere a ocupar parcialmente o piso superior.

Novas melhorias são ainda realizadas (ou apenas projectadas) em 1819, sob a direcção de José do Couto, a curtos anos já da extinção do foro e, consequentemente, desse curioso organismo escolar. Posteriormente adaptadas as suas dependências a depósito bibliográfico e disperso, pela maior parte, o seu original equipamento e mobiliário, constitui, ainda assim, um raríssimo testemunho europeu de antiga cadeia privativa.

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