You are currently browsing the category archive for the 'Identidade Negra' category.
passou hoje no corujão -sempre as madrugas insones- e não pude deixar de grudar na tela, creio q dublada, o marco q será sempre, who’s comming to dinner, o conflito racial melhor e mais elegantemente sublimado das telas -e o primeiro q me lembre de ter assistido-tinha sete anos qdo estreou, mas a certeza de tê lo visto é de anos depois -era assim, nas antiga…
a inclusão na programação suscitou lembrança da defesa, emocionada, do afroamericano Obama ao cidadão algemado pela polícia na porta de casa. Em seu Political Capital o apresentador Al Hunt quis saber dos comentaristas, se não foi excessiva a reação do homem inside the president, e ambos (Margaret e Kevin) concordaram:
“em um bairro de gente branca, um professor e dono de sua casa, não seria algemado”
isso lembra, remete(sic) à profundidade das mudanças, q nestes 40 anos, ainda não equalizaram -longe disso- a percepção da cidadania, plena pra todos
Julho 26, 2009 por oflamboyant
Juventude negra e a espera pelo dia seguinte
Alvo predileto do extermínio e violência, jovem lidera estatísticas da desigualdade
Por: Maira Azevedo – Coordenadora Estadual de Comunicação da Unegro-Bahia
Sinônimo de inconseqüência e futilidade foi assim que a mídia definiu a juventude brasileira nos últimos anos. Basta ligar o aparelho de TV ou adquirir qualquer publicação destinada ao público jovem que se pode constatar a visão que insistentemente é passada sobre cerca de 20% da população. As preocupações, as ações e os sonhos são todos pautados pelo consumo exacerbado, como se a única inquietação juvenil fosse ter a roupa da moda, o tênis da vez ou ainda freqüentar os lugares badalados.
Mas, dentro deste universo existe um outro percentual, que representa aproximadamente 7% de brasileiros e brasileiras e que possuem um outro sonho. Um sonho que e a primeira vista pode parecer simples e banal, entretanto vem se tornando cada vez mais difícil, O DIA SEGUINTE. Essa é a realidade dos jovens negros, com idade entre 15 e 24 anos, que representa cerca de 15 milhões de pessoas e que todos os dias, quando conseguem chegar em casa, têm motivos para comemorar. Conseguiram a façanha de vencer as estatísticas. É um sobrevivente do sistema perverso, que silenciosamente aniquila a juventude negra brasileira.
Alvos prediletos dos grupos de extermínio e das ações violentas de alguns policiais, a juventude negra está no topo dos índices que revelam as desigualdades sociais e raciais do nosso país. Somos nós, jovens negros que vivemos sob o jugo das famílias consideradas pobres e miseráveis, que recebemos os salários mais baixos do mercado e também os primeiros a erem escolhidos na hora da demissão, e ainda, no caso das jovens negras, as que morrem nas clínicas de abortos clandestinos.
Entre as medidas atuais de extermínio da juventude negra, temos a campanha a favor da redução da maioridade penal. A consciência dos privilégios da elite branca brasileira é tamanha, que existe todo um setor conservador conspirando e usando as instâncias de poder para legitimar mais um crime coletivo. Querem sentenciar ao cárcere de seres humanos, aqueles que são, muitas vezes, mais vítimas do que algozes. Destinar a juventude negra às “penitenciárias juvenis”, conhecidas como casas de recuperação, que são verdadeiros depósitos de crianças, e como não poderia deixar de ser, na sua maioria negra e pobre.
Porque dentro de um largo contingente de jovens negros, que cometem algum tipo de delito, e são rapidamente cunhados de criminosos, facilmente se encontra meninos e meninas que não tiveram oportunidades. Exemplo contrário foi o caso do grupo de 5 amigos cariocas, moradores de condomínios de luxo, na zona sul do Rio de Janeiro, que espancaram e roubaram a empregada doméstica Sirley Dias, pelo bestial motivo de que se tratava de uma prostituta. Mas, para os que subjugam as leis, essas coisas não foram crimes, mas sim, simples brincadeiras de mau gosto. Pois, como bem definiu o pai de um dos criminosos que atacaram a empregada, “eles só queriam se divertir”.
Bom, eu preciso dizer a esse pai desavisado, que muitos dos meus irmãos, jovens negros, que são levados a praticar delitos, não o fazem por diversão. Mas, sim pela busca do direito que lhe foi subtraído de poder se alimentar, de garantir sua sobrevivência e poderem colocar em prática, ainda que por mal traçadas linhas, o artigo 5 º da constituição, o seu direito de ir e vir, na certeza que não será um dos escolhidos dos grupos de extermínios, das ações de policiais truculentos, que não se tornará mais uma vítima das chacinas, que já são recorrentes na nossa cidade, ou ainda ser escolhido como o alvo da diversão desses grupos de jovens, que sempre tiveram acesso a tudo, e ainda assim, teimam em tirar, daqueles que socialmente não têm nada, a única coisa que lhes resta, a sua dignidade ou a sua vida.
E é por isso que a juventude negra brasileira tem pressa, mas uma pressa diferente de tudo. Não é a espera de uma festa, de mais um programa ou de uma nova roupa. Tem pressa de viver. De ter a certeza que terá direito ao seu dia seguinte. De que o silêncio dos bons que impera sobre seu genocídio, lento, gradual e programado será quebrado. Porque não falar sobre isso é compactuar com o modelo perverso que prevalece e nos mata aos poucos.
Queremos ter o poder de decidir o nosso destino. E estamos nos organizando para isso, formando frente de batalhas, contra o sistema. Ocupando espaços que historicamente decidiram que não seria ali o nosso lugar. E dando passos para que o dia seguinte, não seja mais apenas uma vitória contra as estatísticas e sim a implantação de uma sociedade verdadeiramente democrática.
em 12/05/2009 16:32:16 http://www.unegro.org.br/texto.asp?id=188
Alegria e indigência
**Fernando Conceição
Carnaval e outra vez, como nas últimas duas décadas e meia – com a industrialização dessa festa popular -, quem tem olhos e sensibilidade viu. Foi a repetição do espetáculo daquilo que Maria de Azevedo Brandão uma vez classificou de uma das faces da propalada ‘baianidade’: o lado perverso de convenções naturalizadas no cotidiano das relações sociais dessa porção territorial denominada de Recôncavo, Salvador incluso. Região onde ainda hoje predominam fortes resquícios das tradições escravocratas.

bay busy, alf
Não apenas os chamados ‘cordeiros’, atividade em vias de sindicalização por espertalhões politiqueiros, são a imagem gritante de uma sociedade zelosa na manutenção de hábitos medievais. Os farrapos humanos pululam em todas as esquinas e desvãos da festa, para o deleite de uma ordem-de-coisas que determina o lugar do branco e do negro, do rico e do pobre, do turista e do nativo. A “terra da alegria” e de “todos nós” dos slogans governamentais convive, de forma conveniente, pari pasu com o chicote (real ou mental) no lombo da maioria.
A afirmação, por vezes orgulhosa, de que “a África é aqui”, registra também o que há de mais horroroso no olhar colonialista do passado: a inferiorização e a brutalização do colono, do serviçal, do escravo. De fato, no circuito da folia, enquanto brilham as estrelas nominadas pela indústria cultural, com seu aparato midiático composto por profissionais que vão de áreas tão distintas como o marketing, jornalismo, “promoters” e grupos de segurança, de um lado das cordas e lá em cima nos camarotes tudo é alegria. O que há de lacônico, lúgubre, nefasto, transita do lado de fora.
O Carnaval soteropolitano é a síntese dos nossos contrastes.
É exemplo da clássica microfísica de poder foucaultina, na qual quem pode pisa no que está abaixo ou ao lado. Tais contrastes estão presentes antes e depois do interregno da festa. No regime servil há como se um acordo tácito entre o algoz e a suposta vítima, que aceita servir, às vezes abrindo os dentes (banguela?). O gado humano, pisoteado nas cancelas dos ferry-boats, estádios de futebol, teatros, festas populares, mesmo que pagando ingresso, tudo aceita do nhô-nhô.
Assim, enquanto os capitalistas da hotelaria, da indústria fonográfica, do comércio de drogas e do turismo sexual vêem seu saldo bancário engordar, os vendedores ambulantes, famílias inteiras à cata das sobras dos foliões, serão citados pelas estatísticas da propaganda oficial como partícipes do saldo econômico gerado nesses dias.
Números diversos, à potência de milhões, serão trazidos em linguagem de economês para asseverar o êxito do evento, que tudo pára e ao mesmo tempo mobiliza. Empresários, intelectuóides da cultura e políticos contabilizarão como lucro o que, em realidade, é a pura indigência de muitos.
**FC é Jornalista, professor da Ufba, e pesquisador-visitante na Universidade Livre Berlim - txt publicado em A Tarde – página dois, em 24 de fev de 09
O Sabor do Saber Ancestral - Para os que ainda não têm seu prato de najé, a hora é essa. O prato é a senha de entrada para a 6ª feijoada da ACANNE – Associação de Capoeira Angola Navio Negreiro, que acontecerá no dia 29 de novembro a partir das 10h. Além da roda de capoeira angola coordenada por Mestre Renê, discípulo do saudoso Mestre Paulo dos Anjos (que Deus o tenha!), um fervoroso samba de roda animará os participantes da festa.
“Esta feijoada é um agradecimento a Ogum por tudo o que aconteceu neste ano no grupo, na minha vida , pela conquista e consagração da diáspora africana através da vitória de Obama”, explica Mestre Renê. O prato de najé remete diretamente à ancestralidade negra, como comenta o Mestre: “Enquanto os senhores de engenho comiam em louças importadas da Europa, os pobres sempre comeram em pratos de barro”. Diferente do aguidar usado em rituais do candomblé, o najé é costumeiramente usado para a alimentação do dia a dia. A feijoada será comida de mão, e os presentes ainda poderão saborear a famosa canela, bebida oriunda do candomblé, apelidada pelos degustadores, de bebida de Iansã
Onde achar -O prato de najé pode ser facilmente encontrado em uma das centenas lojas e barraquinhas de Salvador que trabalham com folhas e artigos ligados à cultura afro-descendente. Um lugar propício para achar é no Largo 2 de Julho, próximo à sede da Acanne. Outra opção é a Feira de São Joaquim, próxima ao ferry-boat, na Cidade Baixa. Herdeira da antiga Feira de Água de Meninos, a maior feira de Salvador está em processo de tombamento, podendo vir a ser considerada parte do patrimônio cultural imaterial do povo baiano. Aproveite para passear por seus labirínticos corredores, e sentir um pouco da essência da cultura popular afro-baiana.
Sábado, 29 de novembro de 2008, 10h da manhã – ACANNE – Associação de Capoeira Angola Navio Negreiro Rua do Sodré, 48 – Dois de Julho – Salvador fone: 71 3321 7496 contatos: mestrerene@yahoo com ou acannezion@hotmail.com
colaboração enviada pelo Paulo A. Magalhães Fº: tudo q é sólido desmancha no ar
1) GUARDADORES DE CARRO
Eles são como a Mônica das revistinhas do Maurício de Souza: os donos da rua. Invariavelmente chamam todo mundo de patrão. Gostam de um goró e de andar sujos. Querem pagamento adiantado. E se o ladrão vier e pagar o resto da ponta, eles liberam a sua barca. A orla está infestada desses quase-profissionais e eles já começam a planejar aumento no preço do serviço, visto que o PDDU vai embelezar a área. Os guardadores de carro são também os arranhadores dos carros. E você é o menino que Deus guarda.
2) BRAU
Do inglês, Brown: marrom, a cor do barro. O Brau é uma alegoria ambulante. Um tipo todo enfeitado, cheio de nove horas, gueri-gueri, leotrias, nó-pelas-costas; todo franganhento, despinguelado, camisa florida, cabelo desgrenhado (mesmo careca)… enfim, não dá pra não notar a presença de um verdadeiro brau. É um estilo de vida congênito, não adianta tentar simular brauzice (vários mauricinhos o fazem, mas em vão). Tipo de extrema complexidade, não cabem aqui todas as considerações sobre ele.
3) LIXO NAS RUAS
Não tem jeito que dê jeito. Pode botar uma lixeira de ouro, todo mundo só joga lixo no chão. O mau-hábito não tem preconceito de classe, cor, credo, nem sexualidade: pelas janelas dos carros das dondocas, pelas janelas dos quartos dos barracos, pelas telas de Jayme Figura, pelas janelas… quem é ela, quem é ela? É sempre a mesma porcaria atirando objetos e dejetos em local impróprio: e pensar que o Barradão tá logo ali, mas, mesmo assim, jogaram o Bahia em Camaçari. Devia ter Canabrava pra esse pessoal. Mesmo nas festas, como no carnaval, a galera só sai no lixo. É o hábito!
4) FILAS
Seja no Ferry. No SIMM. No Hospital Irmã Dulce. No banheiro do Iguatemi. Ou no Salvador Card. Ou no Banheiro do bar. Ou pro presente de Yemanjá. Ou no Prato do Povo. Ou no parto do povo. No show de Edson Gomes. Na hora do comes-e-bebes. Na casa do caralho. No caralho a quatro. Enfim, pra tudo em Salvador, tem fila. Pra filar a bóia na casa da Mãe-Joana, entre na fila. Pra comer a gostosa da rua, entre na fila. Pra entrar na fila, entre na fila. Já tem até viciado em filas. Uns caras que adoram ficar naquela configuração bizarra: um atrás do outro pra não se perder. Os baianos gostam tanto, que o governo municipal teve que arrumar uma lei proibindo todo mundo de ficar nas filas dos bancos por mais de 15 minutos. E ninguém obedece. ‘Rebanho de filas da puta’.
5) TORCIDA DO BAHIA
A do Vitória que me perdoe, mas praga mesmo é a do tricocô. É uma doença incurável. Pra AIDS todos temos esperanças… pra torcida do Jahia, não. O timeco pode estar na lanterninha da qüinquagésima divisão que os fanáticos vão atrás. O jogo pode ser domingo, quarta ou segunda-feira, os abestalhados invadem. A Fonte Nova caiu… morreram 7. Podiam ter sido 70. No próximo jogo do time de Itinga, estarão todos lá novamente: inclusive os mortos. E não é só no estádio que eles são Bahia. Alguns não tiram o farrapo azul – vermelho – e – branco nem pra casar. Nem pra cagar. Agora sem estádio, já garantiram que vão lotar Camaçari, ou o Tejo, ou a Leste… ou o que for… São uma praga!
6) SOM DE CARRO
Houve um tempo em que carro era pra se ir de um lugar a outro. No máximo serviam de motel também (hotéis motorizados). Mas os tempos mudam. E de carro, mudam muito mais rápido. Na Bahia, hoje em dia, os auto servem muito mais como discoteca que como qualquer outra coisa. Nos bares como nas praças, nas praias… sempre chega um fdp e abre o berreiro. O repertório é sempre o mesmo pagodão, arrocha, Axezão e outras diarréias…
Não tem c* que agüente. Ninguém pode mais conversar. E as ‘piri’ começam a mostrar o pacotão em volta do porta-malas aberto, formando o brega. Eu, se tivesse bala na agulha, instalava o meu som potente também, parava ali na Ribeira em plena segunda gorda e atacava de Beethoven: 5º Sinfonia. Aí eu queria ver quem ficava…
7) CAÇA-TURISTAS
Essa praga é bem variada. Em geral trata-se de baianos por profissão. Mas isso pode se manifestar de muitas formas: desde as ‘falsas baianas’ até os caras que enrolam os gringos nas fitinhas do Bonfim. O principal exemplar da raça, entretanto, é o ‘caça-gringa-mais-que-gringo’ (embora os gringos viados também caiam no ‘piau’): São uns malhadinhos, invariavelmente capoeiristas e batuqueiros de bloco afro; rastas; sorrisonhos o dia todo; e cheios de trejeitos baianos de encomenda. Parecem um personagem de RAIAI!
O habitat natural é o Pelourinho, mas com a tendência dos gringos de quererem conhecer ‘a vida real’ da Bahia, estão se reproduzindo também em cativeiro: da Av. Peixe aos bares da Orla. As louras não se dão… ou melhor, se dão fácil-fácil… depois de umas lourinhas, então… nem se fala. Até por que eles nunca falam nem portunhol.
BUZU
Talvez seja a mais nociva das pragas baianas. O sistema rodoviário de Salvador é pior que o de Burkina Faso e da Etiópia juntos. Além de caro. Os buzus passam toda hora: um passa às 10 outro às 11 e assim por diante. O cara paga 2 conto e não tem direito nem a sentar. Os motoristas não param no ponto. Os carros são sujos e muito, mas muito velhos.
Se tiver uma poça de lama num dia chuvoso, saiba, o buzu vai passar e manchar sua vida. Os tarados ficam fazendo terra em sua mulher; Quando não em você mesmo. As baianas e os feirantes (por falta de opção, diga-se) emperram a passagem com seus cestos e balaios. Ninguém segura os meus embrulhos. A lei da física que diz que 2 ou mais corpos não ocupam etc. no ônibus ocupam o mesmo lugar no espaço sim. E agora inventaram o Salvador Card pra acabar de fuder tudo. Mas este é uma outra Praga, que merece uma matéria inteira. O pior, pra terminar o interminável, são os sacanas que ficam na frente do buzu e não vão saltar. Ai, só matando…
9) CHICLETE COM BANANA
O Chicletão é uma praga. Uma praga baiana de alcance internacional. Durante todo o ano, não tem tempo ruim, nem choro nem vela. Nas esquinas, nas festas, saindo pelas janelas dos barracos, das casas, das mansões… não há como ficar imune à guitarra de Bell levando letras praieiras, pegajosas e muito chatas.
Carnaval então, nem se fala: São 2 blocos (pra não dizer tijolos), o de dentro e o de fora das cordas. Ambos enormes. A turba imensa repete com fervor os refrões (músicas de Axé são só refrões) e se esbalda em levar e dar socos, pontapés e dedadas… Tem gosto pra tudo. ‘Então diga que valeu…”
10) MIJAR NA RUA
A cidade não tem banheiros. É verdade. Os banheiros de bar são como zonas nucleares (e os donos só permitem acesso aos clientes). É verdade. Vontade de mijar é foda. É verdade. Mas que a galera gosta de tirar o pau e encostar nos postes, nos muros ou mirar docemente pro infinito, deixando respingar os transeuntes ao redor… ah! isso gosta. É a coisa mais comum em qualquer área, nobre ou pobre, da cidade, ver alguém sacudindo a ferramenta com aquelas mãos asquerosas… e o riacho vai escorrendo na direção da rua… o prefeito, sempre ele, já pensou em botar banheiros em forma de poste e/ou muro, pra facilitar a adaptação da moçada aos hábitos de boa-família, iniciando um sonhado projeto educativo. Fala-se, nos bastidores, até em Bolsa-Mijo. Vale tudo!
autor anônimo… conteúdo humorístico… qquer coincidência é mais q semelhança
“A Estética do Sagrado” propõe examinar a linguagem como acesso às diversidades da identidade cultural dos povos, a partir da obra de Mestre Didi. O encontro, dias 21, 22 e 23 no Hotel Pestana, em Salvador, busca, ainda, refletir sobre o papel da criatividade como atividade fundante das identidades humanas, explica a antropóloga Juana Elbein dos Santos, organizadora das atividades. O seminário vai reunir alguns dos mais importantes estudiosos da cultura africana e sua participação nas diversidades culturais que mapeam o mundo.
Entre os convidados internacionais estão Babatunde Lawal (EUA), doutor em História da Arte; Jean Hubert Martin (Paris), diretor do Museu Nacional de Artes da África e Oceania; Wande Abimbola (Nigéria), ex-reitor da Universidade de Ifé, escritor e pesquisador da cultura iorubana; e os brasileiros Nelson Aguilar (USP), Muniz Sodré (RJ), Dalmir Francisco (MG) e, entre outros, Marcos Terena, articulador dos direitos indígenas junto à ONU.
Mestre Didi
Nascido em Salvador no início do século passado, Deoscóredes Maximiliano dos Santos é filho único de Maria Bibiana do Espírito Santo (Mãe Senhora), descendente da tradicional família Asipa, originária de Oyo e Ketu, importantes cidades do império Iorubá. Mais antigo descendente, no Brasil, do reino do Ketu, hoje ocupado pela Nigéria e pelo Benin, Mestre Didi recebeu, em 1983, o título máximo de Obá Mobá Oni Xangô, do Rei do Ketu, na Republica de Benin.
É autor de vários livros, dentre eles um dicionário português-iorubá. Aos oito anos foi iniciado no culto aos ancestrais, dedicando toda sua vida a preservar a tradição legada pelos seus antepassados. Em função de juramento e por sua condição de nobreza, Mestre Didi não fala em público, fora do recinto religioso. “Porque o seu dizer não pode ser deturpado”, justifica a antropóloga Juana Elbein.
Cinco mil imagens da cultura e do povo negro de Salvador integram a exposição de fotos/postais “Resistência Negra na Bahia”, um projeto do artista plástico e fotógrafo Alberto Lima que será lançado nesta segunda-feira (dia 16), às 19h, no Centro Cultural da Câmara Municipal, na Praça Municipal. O evento contará com palestras de Valdina Pinto, Makota do terreiro Tanuri Junssara, com sede no Engenho Velho da Federação; de Samuel Vida, professor, advogado e assessor jurídico da Sociedade Aganju; e do promotor Almiro Sena, Coordenador da Promotoria do Combate ao Racismo do Ministério Público Estadual.
“Em pleno século XXI, nossa velha Salvador ainda trata seus filhos afro-descendentes de forma desigual; apesar de sermos maioria, ainda vivemos sob a égide do desrespeito por parte dos poderes públicos, violência policial, exclusão do mercado de trabalho, discriminação racial, além de termos que conviver com a apropriação e expropriação da nossa cultura, reduzida apenas ao acarajé, axé, baianas e capoeira”, diz Alberto Lima, lembrando que 82% da população da capital baiana é afro-descendente.
A exposição é participativa, com os atores discutindo sobre os produtos das suas imagens e de elementos da sua cultura através de análise em todos os estágios do trabalho (via internet e plenárias). O projeto apresenta imagens de homens e mulheres negras, manifestações culturais e políticas, com o objetivo de contribuir para a elevação da auto-estima, a partir do momento em que os retratados poderão se ver na mídia positiva.
É pretensão do projeto, também, criar uma cultura de investigação, um olhar mais aguçado para fazer releitura das ações políticas, sociais e culturais elaboradas pelas instituições de promoção da igualdade racial e por atores partícipes ou não desta comunidade e de tantos outros aparelhos de mídia. Como resultado, os depoimentos, imagens e artigos colhidos serão publicados no livro “Resistência Negra na Bahia”, que será lançado no mês de novembro na inauguração do Museu da Cultura Afro Brasileira.













Carta dos leitores