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A emoção de torna-se pai

por Wellington Nery*

      Desde o mágico dia 31 de outubro de 2008, encontro-me conforme veredicto da sabedoria popular, “choco”, pois assim constatam os familiares, amigos e populares que comigo “cruzam” na correria do nosso intenso, produtivo e maravilhoso dia-a-dia. Realmente encontro-me em estado de êxtase, literalmente nas nuvens flutuo tamanha a felicidade vivenciada, tamanha a alegria incontida no riso fácil e largo que ora adorna minha face: nasceu João Pedro Alves Nery, razão maior de minha existência, e faltam-me palavras para descrever os sentimentos que pululam em meu peito, as emoções que cintila meu coração, elevando ainda mais a minha alma ao Deus Pai Criador. Entre fraldas e mamadeiras ora encontro-me a sorrir e não há nada mais denso e prazeroso que constatar a beleza e a vivacidade de um “carinha” tão amado, tão desejado e tão ricamente abençoado aos olhos e cuidados do nosso bom Deus Pai. Meu filho é lindo! E olha que não é exagero de pai coruja confesso que sou. João Pedro Alves Nery é a maior e melhor realização desse pai babão e da maravilhosa mamãe Valéria. Minhas duas riquezas, as razões de minha vida. Obrigado amor pelo filhão lindo que me deste. Nosso filho é uma benção de Deus. Obrigado senhor por tão amada família!  

     Sempre quis ser pai, pois ser pai é ser mais. Ser pai é evoluir, é perpetuasse em existência ao vislumbrar um futuro que se descortina ante a face de seu amado descendente. Sei das responsabilidades tamanhas que esse passo evolutivo impõe-me, contudo, creio que esteja preparado para aprender cotidianamente a torna-me “o melhor pai do mundo”, desejo utópico de todos nós, verdadeiros pais. Não que não tenha me preparado para esse mágico instante. Muito pelo contrário, cresci observando pais exemplares e desejando torna-me um dia também um bom exemplo de paternidade. No transcorrer do espaço-tempo que venho ocupando aqui na Terra, tenho compreendido que é preciso apreciar as delícias da vida em seu curso de tempo natural e sem pressa, sem precipitação, contive habilmente meu impulso paterno latente manifesto desde a juvenil idade e, por assim dizer, busquei estagiar ao ajudar a cuidar dos meus irmãos amados e primos-sobrinhos queridos. Dessa forma, pude vivenciar esse momento mágico que é torna-se pai num tempo-espaço de maturidade, aos 33 anos de existência. Nesse espaço-tempo de aprendizado, observei atentamente erros e acertos cometidos por homens que imensamente admiro e por quem nutro verdadeiro amor e admiração. A começar pelo meu pai biológico, lógico, meu ídolo em vida, Dilton Nery. Nesse mágico instante em que num piscar de olhos recordo-me de nossa trajetória de vida ao retroceder o tempo em memórias que dissecam nossa história de lutas, vitórias alcançadas, derrotas doídas e aprendizados mútuos, emocionado, encho-me de orgulho em poder bradar aos quatros cantos do mundo para que todos possam ouvir e saber o quanto te admiro e te amo MEU PAI! Meu pai, assim sempre o chamei, como se o possuísse quando na verdade sei que tu és e sempre será um cidadão do mundo, MEU PAI!

       As memórias saltam-me aos olhos e revelam os meus mestres na arte da paternidade. Dilton Nery, meu pai, homem de fibra e tenacidade. A verdade e o amor familiar transbordam em seus poros e enche-me de dignidade e vigor para altivo seguir em frente nessa minha nova etapa de vida. Outro pai exemplar, meu vô Bidê, homem simples e sábio, de seus lábios solvo conhecimentos e de seu coração a mais pura e generosa alegria. A honradez incólume o emoldura no panteão de meus ídolos. De meu vô Miguel, apesar do pouco convívio (falecido quando eu tinha apenas seis aninhos), guardei a lembrança de sua elevada espiritualidade e grandeza moral. Que tua herança ilibada encontre solo fértil e morada em teu bisneto, meu vô. Já meu tio-pai Ednaldo Nery, vô de nosso amado JP, é o amigo e conselheiro dos momentos certos e incertos de minha vida. Teus braços abertos e tua fala sábia sempre me deram abrigo e aconchego. Do meu tio-avô Domingos Ferraro, solvo a experiência de que temos que ser o amigo confidente de nossos filhos, pois assim seremos o alicerce de amor e compreensão em mediada certa a sustentar nossos sagrados lares. Meu querido tio Dó é uma estrutura basilar em nossa família.

           Tive a felicidade de casar-me com minha amada esposa Valéria e ganhar não uma sogra (Flor) e um sogro (Valmir), mas outra mãe e outro pai a quem imensamente amo. Saliento que a minha mãe, Ivône Nery, para mim, é claro, é a melhor mãe do mundo! Isso posto, de modo claro, deixo para discorrer sobre os aprendizados por mim adquiridos sobre a paternidade com nossas queridas mulheres-mães em outra oportunidade. Falo agora do meu sogro-pai. Em Valmir encontrei um homem devoto ao seu lar, a sua família, e um amigo fiel. Valmir é a personificação do zelo, do cuidado, do amor e da pureza paternal que um pai em essência deve ser e ter para exercer tal dádiva junto aos seus filhos. De vô Miruta buscarei adquirir o prazer e alegria para celebrar rotineiramente o fato de estar vivo, de existir e resistir ante as adversidades sempre celebrando as felicidades cotidianas, rotineiras, que por vezes deixamos passarem despercebidas. Desse homem atemporal que viu Lampião e não “baixou os olhos”, fica a vivacidade faceira do menino serelepe que teima em ser feliz. Já das saudosas estórias e histórias vivenciadas por vô Tarcísio, homem de luz própria e sabedoria intensa, fica o ensinamento passado pela memória narrada de que o amor transcende o tempo de uma vida, pois se verdadeiro é eterno e se eterno, este homem ainda vive em nós. Que teu amado bisneto traga consigo sabedoria intensa e luz própria.

             João Pedro Alves Nery é mesmo uma criança abençoada por Deus! Graças a Deus! Nasceu em uma família estruturada que cultiva um ambiente familiar repleto de amor. Que Deus nos guie de modo que possamos com este amado ser humano aprender a tornamo-nos um pai exemplar, legando o que a de melhor em todos nós e em todos os que verdadeiramente nos amam e querem o nosso bem. Seja bem vindo, João Pedro, meu amado filho. Esse seu pai bobão hoje é um homem mais evoluído e feliz, por está contigo entre fraldas e mamadeiras.

 * Pai de João Pedro Alves Nery, o resto é mero formalismo.

E-mail: jornalistanery@hotmail.com

 

Três visões de mundo: a fábula, a perversidade e a possibilidade

Por Wellington Nery*

Num texto limpo e agradável, o que se caracteriza como exceção dentre as obras da temática, Por uma outra globalização do mestre baiano Milton Santos, disseca o fenômeno globalização e abre as janelas da história humana ao alvorecer de três visões de mundo: a primeira como fábula, a segunda como perversidade e a terceira como possibilidade.

A primeira seria o mundo tal como nos fazem vê-lo: a globalização como fábula que erige de certo número de fantasias forjadas por uma máquina ideológica forte, utilizando-se do discurso uníssono de movimento acelerado e contínuo de ideais que repulsam e rechaçam qualquer pensamento contrário à “evolução natural humana”.

Mudar para permanecer o mesmo, tudo igual. Promover “revoluções instantâneas” (tecnológicas, bélica etc.) ao invés de assegurar revoluções reais lentas e graduais (educação para todos e com qualidade, fortalecimento da sociedade civil organizada e da cidadania nela contida etc.) que verdadeiramente contribuem para a real transformação social e a subseqüente evolução humana.

A segunda seria o mundo tal como ele é: a globalização como perversidade. Para a maior parcela da população mundial a globalização está se impondo como uma fábrica de perversidades. Desemprego, fome, violência, a pobreza e o desabrigo se generalizam em todos os continentes. A perversidade sistêmica está na raiz dessa (in)evolução negativa da humanidade tem relação direta com a adesão desenfreada aos comportamentos competitivos que atualmente caracterizam as ações hegemônicas. Todas essas mazelas são imputadas direta ou indiretamente ao presente processo de globalização.

A terceira, o mundo como ele pode ser: uma outra globalização. As bases materiais do período atual são, entre outras, a unicidade da técnica, a convergência do momento e o conhecimento do planeta. A questão é como tais bases têm sido trabalhadas pela humanidade, pois elas têm sido o apoio do grande capital para construir a globalização perversa. Só que essas bases podem e devem ser postas a serviço de outros fundamentos sociais e políticos. Ao que pareciam, as condições históricas do fim do século XX apontavam para esta última possibilidade.

Infelizmente, tem ficado tão somente na aparência, pois a hegemonia da gananciosa aceleração do processo de mais valia e as irracionalidades humanas, caminham crescentemente para um descompasso ao vislumbramento do mestre Milton Santos em seguirmos uma trajetória oposta à que tomamos nos dias atuais. Inexoravelmente, a universalização positiva da humanidade distancia-se a cada momento de intransigência e irracionalidade dos líderes mundiais. No entanto, a esperança persiste e reside em pessoas como Milton Santos e em ações como as de suas obras. E o que nos motiva é a existência de uma verdadeira sociodiversidade, historicamente muito mais significativa que a própria biodiversidade e as famigeradas políticas hegemônicas.

Fonte: SANTOS, Milton. Por uma outra globalização – do pensamento único à consciência universal. São Pauto: Record, 2000.

* Bacharel em Comunicação Social – Jornalismo
Especialista em Metodologia do Ensino Superior
Especialista em Comunicação em Saúde

Especialista em Gestão de Pessoas

Jornalista filiado a FENAJ, ao SINJORBA e a AJI – DRT/BA: 1958.
e-mail: jornalistanery@yahoo.com.br

Site: www.jequietotal.com.br

Blog: http://falandonalata.wordpress.com

Por Wellington Nery*

Imagine uma caverna escura onde somente de um pequeno orifício revela-se luz e que em seu interior habita um povo escravo das sensações e as tem como sendo toda a realidade existente à sua volta, pois ali se encontram desde seu nascimento, enxergando via seus toscos sentidos o mundo externo pelas imagens distorcidas provocadas pelas sombras de uma fogueira de ardor perene, sempre decifrada pelo “sábio mor” de plantão em sua tribo.

Só que num certo dia, um de seus habitantes mais desavisado, o tido como menos adequado socialmente àquela virtual realidade, descontente com o fato de viver reprimido numa caverna, procurou por caminhos outros e um novo orifício forjou só que dessa vez maior onde a penetração da luz do sol quase o cegara: o conhecimento revelado nos parece óbvio, o óbvio é o mais difícil de aceitamos até dele nos apoderarmos.

 

Contudo, esse habitante da penumbra da caverna após um tempo natural de adaptação à luz do conhecer, admirou-se com o novo mundo de possibilidades que figurava em sua fronte. Essa realidade nova lhe fez bem e o mesmo pensou então em seu povo oprimido pelo medo das sombras codificadas e decodificadas pelo “comunicador mor“ de sua tribo que o oprimia com imagens apocalípticas da sombria realidade alheia à caverna. O povo da caverna vivia na escuridão da alma por temer a força da luz do novo conhecimento e por isso era manipulado por aquele que detinha a tocha da fogueira, usando-a para seu bel prazer.

 

Dada à nova realidade desbravada pelo inconformado tribal, isso o fez pensar em seu oprimido povo que ainda convivia com a sombria realidade da caverna, tomando para si a missão de libertá-los e trazê-los à luz da nova realidade. Porém, ao retornar à alegórica caverna o desbravador do novo mundo sentiu-se ainda mais deslocado, ainda mais esquisito, ante àquela população de parca visão, míopes, de olhares turvos e limitados. Mas determinado a concretizar sua missão, logo procurou propagar sua nova descoberta, demonstrando àquele povo a existência de uma realidade distinta e que a mesma seria acessível a todos.

 

            Entretanto, por mais clareza, objetividade e veracidade que o inconformado tribalista propagasse e publicitasse a boa nova à ignara população, essa por ser demais acomodada e acostumada à fácil decodificação das sombras da grande fogueira pelos “sábios locais”, não aceitava o óbvio, ululante. Riram e o julgaram louco o inconveniente inconformista, considerando sua visão da realidade uma afronta à realidade historicamente e ideologicamente vigente, pois seu povo preferira continuar com a realidade fantástica narrada miticamente ao longo de sua urbe e insignificante existência. Seu povo o condenará à margem irônica da sociedade e à solidão de sua alma racional. Pensar então doía…

             Nesse nosso livre ensaio acerca da Alegoria da Caverna do filósofo grego Platão, fica o ensinamento de que a humanidade não está preparada para discernir entre a realidade e a ilusão, pois prefere aceitar “a vida como ela é”, “a vida como levamos” ou “a deixamos nos levar”, sem nos preocuparmos com sua essência. Poucos estão à frente do seu tempo. Poucos rompem com as amarras da ignorância servil. E assim mesmo, esses poucos são vilipendiados pela massa ignara, pela turba insana, pelo sufrágio universal.   

Estes parcos que ousam questionar sempre, instigando a humanidade a buscar os porquês nas grandes questões do universo, foram, são e serão massacrados pela ignorância alheia, queimados nas fogueiras das conveniências. Quem eu sou? De onde venho? Para onde vou? Meras bobagens! É carnaval e atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu… Pois assim seguimos: pão e circo; cordas e muros eletrificados; põe mais livros na fogueira, deixa o fogo arder. Aumente o som a decibéis inaudíveis; gritos, urros e gemidos, pois vivemos mais um carnaval no Brasil!

 

 

Algures e Alhures

Um ensaio de lucidez

                                      Por Wellington Nery*

Ler é romper com as amarras do provável, da lógica, do possível, da geopolítica que nos cerceia e nos acomoda. Ler é um ensaio de lucidez. Viajar, romper fronteiras. Ver o novo, desconhecido. Em Tamara essa ordem é invertida. Quem vai à cidade imaginária da obra As Cidades de Ítalo Calvino não retorna conhecedor de algo estranho ao seu habitat, à sua natureza, à sua própria história. Quem vai a Tamara nada conhece a não ser a si mesmo. Na verdade, começa a se reconhecer. Envolta em símbolos, a cidade se despe ao visitante que percorre os seus caminhos sinuosos sem fixa-se em referências, pois tudo lhe é tão familiar a ponto de dá-lhe a sensação de deja-vú.           

O córrego de agora era o rio de outrora, onde o forasteiro se banhava na terna infância. O templo a vista era a capela onde comungara. A fruta peca da macieira lembra-lhe o fim daquele outono inesquecível. Cada rosto lhe é comum, conhecido. Cada gesto torna-se insígnia. Cada som audível, sinfonia. E o silêncio trava consigo o mais sincero diálogo. Na terra estranha, nada de original faz ou traz consigo, limita-se somente a dar nomes à suas dores, paixões e desencontros. Calvino nomeia as coisas ao seu redor e elas se tornam suas, só suas. Ele vai se definindo através delas, pois conforme conceito antropológico: “quem nomeia se nomeia”.        

E então, por que viajar para tal cidade imaginária? Para que percorrer tais trilhos? Ir rumo ao vazio, ao nada? Calma, não é bem assim! Por ser tão aconchegante, Tamara lhe permite uma viagem maior. Uma aventura maiúscula, única e extremamente pessoal. Uma viagem silente e enigmática. Uma viagem em busca de identidade, consciência. E é só seguir o próprio algoritmo para o errante torna-se vítima e algoz. E o viajante vê-se numa trajetória rumo ao seu próprio universo, ao seu interior, ao seu íntimo, ao seu âmago, ao seu eu. E as lembranças descortinam-se em cascatas de saudades…

No entanto, é hora de partir. Hora de retornar ao inconsciente coletivo, ao cotidiano de amnésia. Deixar a imaginária Tâmara de Calvino, rompendo com as amaras simbólicas, pois o navegante do onírico martela questões sem respostas. Qual o legado que a ida a Tamara lhe deixou? Não há respostas só indagações, indagações, indagações… Seu legado é o constante indagar, o olhar investigativo íntimo e insondável que nos leva a algum lugar, noutro lugar; onde realmente estejamos conosco mesmos, livres, libertos. O andarilho de Calvino não repousa em vãs respostas, prefere a liberdade da dúvida, do porvir.  E assim, humanos que somos, seguiremos errantes pelas estradas da vida em seus caminhos e descaminhos.  

* Bacharel em Comunicação Social – Jornalismo
   Especialista em Metodologia do Ensino Superior
   Especialista em Comunicação em Saúde
Especialista em Gestão de Pessoas

   Jornalista filiado a FENAJ, ao SINJORBA e a AJI – DRT/BA: 1958.
   e-mail: jornalistanery@yahoo.com.br

  Site: www.jequietotal.com.br 

  Blog: http://falandonalata.wordpress.com    

 

 Wellington Gonçalves Nery*

Além dos meus limites

Hei de tangenciar

Fronteiras díspares ao infinito

O olhar, o olhar, o olhar…

A desvendar-me. 

Já não me basta o tempo

Solto, sou vento livre

Arredio, sou poeta vadio

E em liberdade

Enveredo-me a amar, a amar, a amar… 

Ao mar lanço-me às velas

Poemas de carpintariaA

revolver a terra do ventre

Poeira de outrora estrelas

Que ainda me trazem alegria. 

Além do silêncio ensurdecedor

Brota a realidade obtusa

Crua em cerne a carne e o corte

Das almas onde o horizonte findou

Esperanças vãs. 

Vivo às margens do medo e da ignorância

Nesse cais,

Fiz esconderijo, refúgio

Lá onde sugo o mel do abrigo

Sou amante e refém

Da solidão que me fere o peito

Feito lâmina macia.

 * Bacharel em Comunicação Social – Jornalismo
Especialista em Metodologia do Ensino Superior
Especialista em Comunicação em Saúde

Especialista em Administração em Gestão de Pessoas

Jornalista filiado a FENAJ, ao SINJORBA e a AJI – DRT/BA: 1958.
e-mail:j
ornalistanery@yahoo.com.br

www.jequietotal.com.br 

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 Por Wellington Nery*  

Vivemos tempos de intolerância. Tempos de desamor, de rancores e de pusilanimidades. Sim, vivemos tempos de barbáries e não temos energias para reagir. Somos frágeis, fracos de ânimo e de coragem. Ante a diferença, buscamos a negação. Ante a diversidade, buscamos a solidão. Queremos os iguais, queremos espelhos. Queremos um conforto e uma segurança em muros de medo e vemos o mundo por entre frestas de pouca luz, de parca lucidez. A realidade cada vez mais diluída em constantes pesadelos é uma realidade não vivida plenamente. Uma realidade negligenciada pelo indiferentismo que nos domina. A nossa realidade vem sendo carcomida pelo medo. Estamos sós e mal acompanhados num mundo que desaba em certezas axiomáticas. Estamos sós e desamparados num mundo que se apequena em posicionamentos fundamentalistas. Estamos sós, num mundo de intolerâncias.

Uma charge provoca a horda ensandecida. Uma visão opaca contempla a ignorância e a mesquinhez. Liberdade se transverte em irresponsabilidade, em ganância, em mais tinta de sangue a pulsar o ódio em bancas de jornais. Somos diferentes e incompatíveis, assim pregam os “líderes” e “sábios” do globo terrestre. Sim, ainda somos trogloditas! Ainda somos animais irascíveis em nossa verdade única. Aqui não cabe o outro, aqui não comporta o plural. Aqui só sim e não, num diapasão uníssono. Que rufem os tambores da guerra entre civilizações, entre religiões, entre seres humanos. Todos a postos: vamos nos matar! É triste, caros leitores, mas esse é o clima do nosso tempo. Somos contemporâneos em tempos de insensatez.

Contudo, gostaria de apresentar-lhes algo que não é novo, mas parece a muito esquecido: o princípio da alteridade. Alteridade, o caráter do que é outro, a diversidade, a diferença. Sim, o antônimo de identidade. É preciso contemplar a diferença em todas as suas nuances. Para isso, busquemos entender que “quando eu nomeio, eu me nomeio” e sem o outro eu não sei quem sou, pois só sou em sociedade. E as sociedades devem ser múltiplas como a vida o é. O diferente é necessário, imprescindível, essencial. Respeitar o outro é querer respeito consigo. Somos todos uns em função do outro. Não nos cabe o preconceito, a intolerância, a estupidez, a barbárie. Somos pó, e retornaremos todos ao estado homogêneo de nossa existência quando o tempo findar. E até lá, que Deus nos abençoe e nos perdoe por tantas mortes, por tanto sangue derramado sem razão. Verdadeiramente sem razão! Absolutamente sem razão! Absurdamente sem razão! Que Deus tenha piedade de nós.

 * Bacharel em Comunicação Social – Jornalismo
Especialista em Metodologia do Ensino Superior
Especialista em Comunicação em Saúde

Especialista em Administração em Gestão de Pessoas

Jornalista Profissional filiado a FENAJ, ao SINJORBA e a AJI – DRT/BA: 1958.
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Prece ao Jornalista

Wellington Gonçalves Nery

Que tua curiosidade venere minha liberdade / Que tua elegância contemple minha fragilidade / Que teu humor suporte minha independência / E que tua voz brande razão.

Fazei da ética a tua vida / Fazei da vida algo de bom / E que defendas com todo rigor / Uma morte honrada quando o tempo se for.

Que tua pena redija esperança, justiça e tolerância / Que tua palavra seja de fé pública / Verdade isenta de paixão, dogma e opressão.

Que seja livre e responsável tua consciência / Que seja plena de humildade e sapiência / Dignidade que o eleva ao patamar de cidadão.

Assim eu penso, / assim eu sou:/ Jornalista!

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